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Projetos cooperam com a transformação digital no SUS

O primeiro semestre de 2025 marcou um período de avanços para três iniciativas estratégicas, desenvolvidas no âmbito do termo de cooperação técnica TC157, conduzido pela BIREME/OPAS/OMS em parceria com a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI/MS): a Plataforma SUS Digital, as Ajudas Decisionais (AD) e a Segunda Opinião Formativa (SOF). Estas ações combinam inovação tecnológica, metodologias participativas e integração de serviços que contribuem para a transformação digital do SUS.

Plataforma SUS Digital

O desenvolvimento da Plataforma SUS Digital avançou em sua concepção e estrutura, representadas em um protótipo, que foi submetido a uma pesquisa de usabilidade com os participantes do 38º Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), realizado em Belo Horizonte, MG, visando um alinhamento das expectativas e necessidades dos usuários.

Além disso, foi realizada uma oficina no dia 23 de julho para desenhar os fluxos e processos de construção e atualização das seções da Plataforma. Nesta oficina também foram revisados a arquitetura, o design e a linguagem dos textos de apresentação dos produtos e seções da Plataforma com base no protótipo.

Com a colaboração das equipes da SEIDIGI, foi iniciado o inventário de produtos, serviços, documentos e materiais relacionados ao SUS Digital, o que permitiu a definição da taxonomia e configuração do sistema de gestão de conteúdo para o Repositório, que inclui a descrição e indexação de diferentes tipos de conteúdo (multimídia, publicações, ferramentas, aplicativos, sites, recursos educacionais, notícias, relatos de experiências etc.). Também foi iniciado o registro de 264 iniciativas apresentadas no primeiro Seminário de Transformação Digital no SUS, que aconteceu em novembro de 2024.

Para as seções da plataforma dedicadas a destacar experiências, relatos e perspectivas de diferentes atores do sistema de saúde – “Histórias de Transformação do SUS” e “Vozes do SUS” – está em curso a prova de conceito e validação de templates a partir de dois temas-piloto: Telessaúde no Complexo da Maré e Telessaúde em territórios indígenas e quilombolas.

Estas iniciativas reforçam o papel da Plataforma SUS Digital como um espaço vivo de valorização e compartilhamento de práticas digitais transformadoras no sistema de saúde brasileiro, além de ser um grande hub das ações, iniciativas, redes, projetos, produtos e serviços relacionados ao Programa SUS Digital.

“Há um grande acervo de dados, documentos e experiências que está disponível para ser transformado em conteúdo indexado e disponibilizado na Plataforma SUS Digital, contribuindo não apenas para a comunicação e disseminação, mas também para o registro e a preservação da história, bem como para a ampliação do acesso e uso dos serviços de telessaúde pelas populações mais vulneráveis do Brasil”, destacou Verônica Abdala, gerente de Produtos e Serviços de Informação, à frente do projeto na BIREME.

Figuras do protótipo da plataforma.

Ajudas Decisionais

Ajudas Decisionais (AD) são instrumentos que auxiliam na tomada de decisões em saúde, facilitando que usuários da saúde e provedores de cuidado façam decisões informadas e compartilhadas. O projeto para o desenvolvimento das AD no âmbito do SUS registra avanços importantes, como sua estruturação institucional, definição metodológica e a construção colaborativa dos primeiros protótipos de AD.

Foram conformados o Comitê Diretor e o Comitê Científico e Técnico, realizados intercâmbios nacionais e internacionais, e concluído o mapeamento das AD existentes. Também foi elaborada a primeira versão do Procedimento Operacional Padrão (POP) e desenvolvidos frameworks para orientar a construção dos protótipos.

Quatro protótipos de AD foram desenvolvidos de forma colaborativa, envolvendo a definição das áreas temáticas, a formação de equipes de especialistas, a condução de buscas para revisão sistemática e a realização de entrevistas e grupos focais com usuários do sistema e serviços de saúde.

As temáticas contemplam: métodos contraceptivos para mulheres adultas; métodos contraceptivos para adolescentes; reposição hormonal na menopausa; e vias de parto. Os protótipos, consolidados em formato PDF, encontram-se em fase final de revisão para aplicação do “teste alpha” – etapa que avaliará a clareza, compreensão e viabilidade de uso das AD, tanto pela perspectiva de pacientes quanto de profissionais de saúde.

Em julho, em Brasília, foi realizada a segunda oficina de cocriação para a consolidação das AD, reunindo especialistas, gestores e representantes de movimentos sociais. O encontro validou a metodologia, a estrutura e a fundamentação científica das AD, além de definir o planejamento para o teste alpha. Paralelamente, avançou-se na criação do Portal das AD, que será integrado à Plataforma SUS Digital, ampliando o alcance, a usabilidade e a visibilidade do produto.

Figuras das versões preliminares do portal e das ajudas decisionais.

Segunda Opinião Formativa

O projeto Segunda Opinião Formativa (SOF) avançou de forma significativa, consolidando etapas estratégicas e institucionais para a atualização do serviço. Foi constituído o Comitê Diretor, realizado o levantamento de requisitos e desenvolvida a primeira versão do sistema de gestão de SOF em plataforma provisória (REDCap). Foram revisados e atualizados o template de SOF e o fluxo de trabalho, além da realização de um teste de conceito envolvendo seis núcleos de telessaúde e treze profissionais.

Também foi promovida uma oficina de cocriação para a nova SOF, voltada à definição de processos operacionais e à migração do banco de dados com mais de 1.700 SOF para o sistema no REDCap, já com as funcionalidades de submissão, revisão e publicação implementadas. Está em desenvolvimento a versão 2 do sistema de gestão (SOFNet) e do novo portal das SOF integrado à Plataforma SUS Digital, além da criação de um protótipo de interface para integração com aplicativo de mensagens instantâneas.

Os próximos passos incluem a definição do fluxo de produção de SOF com diferentes vias de entrada e com expansão da rede de colaboradores para criação, revisão e atualização de SOF e a disponibilização da versão 2.0 do sistema, com funcionalidades completas.

Figuras do sistema provisório e do protótipo da nova versão (SOFNet).

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/08/29/projetos-cooperam-com-a-transformacao-digital-no-sus/

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Webinários para as Redes de Informação em Saúde na Região

As Redes de Informação em Saúde são essenciais para fortalecer e ampliar o trabalho realizado pela BIREME em prol da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), da base de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), do tesauro multilíngue Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), e de todas as fontes de informação que contribuem para a democratização do acesso e para a visibilidade do conhecimento científico em saúde nos países da América Latina e Caribe (AL&C).

O Programa Fortalecimento das Redes de Informação em Saúde na AL&C tem como objetivo fomentar a troca de experiências, disseminar boas práticas e promover a inovação em gestão e uso da informação em saúde. Realizado regularmente desde 2020, neste ano, o calendário de encontros prevê 26 sessões organizadas em quatro eixos temáticos: Boas práticas nos processos editoriais de periódicos LILACS; Inovação em produtos e serviços de informação; Indexação de documentos segundo a Metodologia LILACS; Acesso e uso da informação.

Desde o ano de 2024, o programa inclui sessões especialmente dedicadas para os países do Caribe que têm o inglês como idioma oficial, com quatro sessões realizadas em coordenação com a Rede MedCarib. Outro destaque na programação do ano é a celebração dos 40 anos da LILACS, com evento a ser realizado em 30 de outubro.

Primeiras 14 sessões: inovação, ética e inteligência artificial

Até o momento foram realizados 14 webinários com total de 2.537 participantes de 36 países e média de 181 participantes. As sessões reuniram especialistas, editores científicos, bibliotecários e pesquisadores de diferentes países. Os debates abrangeram desde os fundamentos técnicos da indexação temática até os desafios éticos e práticos do uso de inteligência artificial (IA) em saúde.

Entre os temas abordados, destacaram-se:

  • Inovação em produtos e serviços de informação: lançamentos e atualizações do DeCS 2025, novas funcionalidades de ferramentas como o DeCS Finder AI e os Super Resumos, além de debates sobre o papel estratégico da BVS.
  • Ética e integridade editorial: sessões sobre retratação, prevenção de práticas predatórias e lições aprendidas com a gestão editorial de periódicos científicos.
  • Indexação de documentos: fundamentos, atualizações metodológicas e uso de IA para aprimorar a organização da informação científica.
  • Aplicações da IA na saúde: reflexões sobre ética, eficiência e responsabilidade no uso de algoritmos em pesquisas, serviços bibliotecários e revisões sistemáticas.

As atividades contaram com a participação de especialistas convidados de países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México, além de representantes da própria BIREME/OPAS/OMS. Ao todo, 19 palestrantes compartilharam suas experiências e perspectivas ao longo dos webinários. Abaixo, as imagens mostram o número de participantes por sessão e a distribuição de participantes por país.

Programação até dezembro e acesso às gravações

A agenda segue até o fim de 2025 com outras 11 sessões previstas, aprofundando a reflexão sobre os quatro eixos temáticos. As atividades continuarão reunindo atores estratégicos das redes regionais, fortalecendo a cooperação técnica e a circulação de conhecimento em saúde.

As gravações e as apresentações dos palestrantes convidados estão disponíveis no Portal da Rede BVS. E para quem perdeu alguma sessão ou deseja rever as apresentações, todas as gravações estão disponíveis em uma playlist no canal PAHOTV no YouTube.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/08/29/webinarios-para-as-redes-de-informacao-em-saude-na-regiao/

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Painel destaca capital humano e institucional

A transformação digital da BIREME agora está também ilustrada no seu painel de entrada: para celebrar a trajetória e os novos rumos do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS), o hall de entrada ganhou um novo painel institucional.

A arte, resultado de um processo colaborativo com as lideranças e equipes, destaca a evolução digital da BIREME e sua missão de promover o acesso equitativo à informação técnica e científica em saúde. Mais do que um painel ilustrativo, a instalação transforma o espaço físico em um ponto de contato com a história, as conquistas e a perspectiva de futuro do Centro.

Inaugurado em junho de 2025, a cerimônia de lançamento foi realizada com a participação da equipe da BIREME, e conduzida pelo diretor João Paulo Souza, com a participação de Geetha Krishnan Pillai, chefe da Unidade de Pesquisa e Evidência do Centro Global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde (WHO GTMC, por sua sigla em inglês), que na ocasião participava de evento Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em São Paulo, e de Sebastián García Saisó, diretor do Departamento Evidência e Inteligência para Ação em Saúde (EIH) via conexão remota.

Projeto gráfico valoriza pessoas, produtos e alianças

O novo painel privilegia, de forma inédita, a presença dos produtos e serviços desenvolvidos pela BIREME ao longo de sua história. Uma linha do tempo central evidencia marcos como a criação da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), e outros recursos de informação desenvolvidos para aplicação na área da saúde, ressaltando como a evolução tecnológica e a transformação digital permeiam o histórico de desenvolvimentos e as iniciativas do Centro.

O projeto gráfico também coloca em destaque as pessoas e equipes que constroem diariamente o legado da BIREME, representadas nas fotos coletivas do time ao longo das décadas. “É um tributo à dedicação dos profissionais que viabilizam a missão do Centro”, enfatizou o diretor.

Outro destaque importante é a rede de parceiros e sócios institucionais. Com seus nomes em uma nuvem de palavras, são homenageadas organizações nacionais, internacionais e regionais, comunicando a diversidade e magnitude da cooperação técnica. Este espaço evidencia o valor que a articulação em rede tem para a BIREME, e a relevância do trabalho colaborativo desenvolvido ao longo das décadas com centenas de instituições. “São instituições que constroem, junto com a BIREME, uma série de soluções inovadoras para apoiar a tradução do conhecimento em práticas de saúde”.

O painel da BIREME coopera, portanto, com o engajamento do seu pessoal e sócios institucionais quando se reconhecem no processo contínuo de implementação da missão da BIREME ao longo dos seus 58 anos em prol do acesso à informação em saúde, mencionou Silvia de Valentin, Administradora da BIREME.

Evolução tecnológica em destaque

O novo painel foi projeto para comunicar múltiplas camadas de sentidos, integrando a história da BIREME – por meio de seus produtos e serviços de informação – com a evolução das tecnologias próprias deste campo:

  • Linha do tempo de produtos e serviços: da criação da BIREME, em 1967, às mais recentes inovações digitais, a trajetória institucional é marcada por lançamentos pioneiros e avanços em prol do acesso à informação. O futuro também está representado na composição visual, indicando que os recursos de informação produzidos pelo Centro seguirão orientados pelas agendas da saúde e do desenvolvimento humano sustentável, em seus grandes marcos projetados para os anos 2030, 2040 e 2050.
  • Evolução das tecnologias de informação e comunicação: elementos gráficos como telefones, computadores, redes digitais e hexágonos conectados ilustram a transformação dos suportes e plataformas de informação e comunicação, desde as bibliotecas de conteúdo impresso e analógico, até os mais contemporâneos recursos digitais.
  • Missão institucional: a missão da BIREME também está inserida no projeto gráfico, com um texto que foi selecionado por toda a equipe como o mais representativo de sua atuação: “Promover saúde facilitando o acesso e o uso da informação científica e técnica para a ação em saúde.”
  • Homenagem à equipe: duas fotografias históricas dos colaboradores foram selecionadas para ilustrar e valorizar a dimensão humana. À esquerda, vê-se registro feito na antiga sede da BIREME, na década de 2000; e à direita, a equipe em 2023, já no atual escritório, com a presença do Dr. Jarbas Barbosa durante sua primeira visita a São Paulo como Diretor da
  • Parceiros e presença regional: um mapa destaca a atuação da BIREME em toda a América Latina e Caribe, refletindo o alcance regional de suas ações. Parceiros e sócios institucionais são apresentados em destaque, valorizando o reconhecimento ao trabalho conjunto e à cooperação técnica.

Uma experiência para a equipe e visitantes

O painel do hall de entrada não apenas celebra o passado e o presente, mas convida visitantes, parceiros e a própria equipe a vivenciar o espírito inovador da BIREME. Em imagens e palavras, expressa o compromisso contínuo com a cooperação regional e com a promoção do acesso à informação científica e técnica em saúde. Assim, cada pessoa que entra no escritório da BIREME encontra um convite à memória institucional, ao reconhecimento histórico e à construção coletiva de um futuro projetado para seguir rumo ao acesso universal à informação em saúde. “Este painel traduz em imagem o que somos em essência: uma comunidade comprometida com a inovação, o trabalho em rede e a missão de ampliar o acesso à informação em saúde. Ele celebra nossa história e projeta nosso futuro”, conclui o diretor.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/07/31/painel-da-bireme-destaca-o-seu-capital-humano-e-institucional/

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Principais resultados da BIREME no 1º. semestre

O primeiro semestre de 2025 foi marcado por importantes resultados para a BIREME/OPAS/OMS no contexto de seu Plano de Trabalho Bianual 2024-2025, em alinhamento com a Estratégia 2023-2025, orientada à transformação digital, inovação e ao fortalecimento institucional. A BIREME seguiu apoiando os países da Região com produtos e serviços informacionais voltados à gestão do conhecimento e à tomada de decisão em saúde, por meio da operação contínua da BVS, da cooperação com redes regionais como a LILACS e com centros da OMS, e incluindo a incorporação de soluções baseadas em inteligência artificial e do desenvolvimento de novas iniciativas em saúde digital e equidade.

  1. O portal regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) seguiu em operação regular, oferecendo acesso a uma ampla coleção com mais de 50 fontes de informação e cerca de 40 milhões de documentos científicos e técnicos. No primeiro semestre de 2025, foram registradas 14,8 milhões de sessões de acesso na BVS Regional, originadas de 9,5 milhões de usuários, gerando 124,2 milhões de eventos – 32,6 milhões de visualizações de páginas, 13,4 milhões de visualizações de resultados de busca e 365 mil downloads de textos completos.
  2. A Literatura em Ciências da Saúde da América Latina e do Caribe (LILACS) comemora 40 anos em 2025 com uma coleção de mais de 1,12 milhão de registros documentais de 30 países da AL&C, dos quais 62% com link para o texto completo. LILACS foi atualizada com mais de 15 mil novos registros no primeiro semestre, com contribuição de 200 centros cooperantes de 18 países. O processo de avaliação e seleção de periódicos LILACS Brasil 2025 foi iniciado com 28 periódicos, dos quais 5 seguem em avaliação. A coleção LILACS Plus, que compreende o conteúdo da LILACS e das bases de dados nacionais e temáticas da região, e publicações de países e autores da América Latina e do Caribe indexadas na MEDLINE, está disponível no Portal Regional da BVS e reúne mais de 3 milhões de documentos melhorando a visibilidade da produção científica da região. O estudo “Perfil dos Periódicos Indexados na LILACS” 2025 está em atualização e será publicado no Portal da LILACS com dados de 934 periódicos de 19 países. Esta iniciativa apoia ações estratégicas para capacitação de editores, atualização de critérios de indexação, promoção de boas práticas editoriais e melhorias técnicas e operacionais na LILACS.
  3. A edição 2025 do DeCS adicionou 206 novos descritores, sendo 192 provenientes do MeSH e 14 exclusivos do DeCS. Destaque para a cooperação de grupos de trabalho na atualização de áreas temáticas como Enfermagem e Homeopatia. Foi concluída a revisão da categoria Homeopatia com a reorganização de sua hierarquia. O portal DeCS/MeSH e o serviço DeCS Finder IA registraram cerca de 9,9 milhões de sessões de acesso por 1,2 milhões de usuários, gerando mais de 36 milhões de eventos (visualizações de páginas, visualizações de resultados de busca e outros). O serviço DeCS Finder IA foi atualizado com ampliação da base de conhecimento para treinamento e implementação de sugestão de descritores para indexação assistida por IA no FI-Admin.
  4. Em 2025 continuaram as ações para fortalecer o trabalho colaborativo e expandir a rede da BVS na Região AL&C. No primeiro semestre foram realizadas 10 reuniões com média de 170 conexões de 36 países nas temáticas de acesso e uso da informação, indexação de documentos segundo a metodologia LILACS, boas práticas nos processos editoriais de periódicos científicos LILACS e inovação em produtos e serviços da BVS.
  5. Cooperação técnica em nível global em coordenação com a OMS: (i) desenvolvimento e operação contínuos do Global Index Medicus (GIM), um produto informacional que integra a produção científica em nível regional de todas as regiões da OMS (os Escritórios Regionais da OMS operam o GIM, que conta com uma base de dados com mais de 2 milhões de registros); (ii) operação do Index Medicus AFRO/WHO na plataforma tecnológica da BVS;  e (iii) desenvolvimento da Biblioteca Global de Medicina Tradicional (versão beta 0.2) em cooperação com o Centro Global de Medicina Tradicional da OMS. O desenvolvimento da Biblioteca Global de Medicina Tradicional (TMGL) avançou com a implementação da versão beta que contempla o portal global, 6 portais regionais, 194 páginas de países, e 2 páginas temáticas: Ayurveda e Parteira Tradicional. O acervo da TMGL reúne coleções de documentos científicos e técnicos (+1,7 milhão), de multimídias, de periódicos, de mapas de evidências, de repositórios e bases de dados bibliográficas, de políticas e regulações, além da coleção do WHO Traditional Medicine Global Summit. Inovações baseadas em inteligência artificial, como o modelo TMGL GPT, também sendo implementadas na TMGL. O lançamento da TMGL está planejado para dezembro, na segunda Cúpula Global de Medicina Tradicional.
  6. Em colaboração com a unidade Ciência para o Impacto, o portal de Diretrizes e Recomendações GRADE está em operação regular e com atualizações na BVS. O portal inclui a BIGG (Base Internacional de Diretrizes GRADE), BIGG-REC (Recomendações GRADE para ODS-3) e BIGG-Map (Mapas de Evidências baseados em recomendações GRADE), além da base de dados PIE (Políticas Informadas por Evidências) e a ferramenta Evid@Easy (busca guiada de evidências). Esses produtos facilitam o acesso a recursos que apoiam a tomada de decisão clínica e de saúde pública, produzidos pela OMS, OPAS e outras instituições nacionais e internacionais que seguem a abordagem GRADE. Além disso, seguiu avançando o desenvolvimento da ferramenta gráfica para criar algoritmos baseados em diretrizes clínicas e recomendações.
  7. Até junho 2025 a metodologia de mapas de evidência oferecida pela BIREME foi aplicada no desenvolvimento e publicação de 4 novos mapas de evidência – Interculturalidade em Saúde, Constelação Familiar, Prevenção do Câncer em população maior de 15 anos, e Ayurveda. Outros mapas foram atualizados e disponibilizados na coleção da TMGL na versão em inglês (Yoga, Meditação, Reflexologia, Acupuntura, Ventosaterapia e Shantala). O Portal de Mapas de Evidência (https://bvsalud.org/mapa-de-evidencias/) conta com 80 mapas registrados. Um novo plug-in para as Vitrines do Conhecimento está em fase de desenvolvimento. Enquanto isso, o portal Vitrines do Conhecimento (https://bvsalud.org/vitrinas/) permanece disponível com 60 vitrines ativas, no período foram atualizadas 8 vitrines relacionadas a datas comemorativas da saúde e criadas 3 novas vitrines: Dia Mundial da Saúde 2025 ,Vigilância de Zoonoses e Atenção Básica.
  8. Em colaboração com a Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde do Brasil (SEIDIGI/MS) e a PWR BRA, a BIREME está desenvolvendo 4 produtos no contexto do TC157 Saúde Digital: (i) Novo programa para a Segunda Opinião Formativa (SOF) com a incorporação de tecnologias digitais visando a atualização da coleção de 1700 SOFs, a expansão da produção para além das SOFs originadas de teleconsultorias e da APS, e a criação de derivativos das SOF para outras mídias e formatos; (ii) Ajudas Decisionais (AD) são intervenções que apoiam o paciente na tomada de decisão em saúde, oferecendo informações baseadas em evidências sobre opções, benefícios e riscos (4 protótipos de ADs estão em processo de revisão antes da etapa de testagem com usuários); (iii) Plataforma SUS Digital – desenvolvimento de um portal interativo e integrador das informações, documentos, ferramentas, serviços, projetos e produtos relacionados ao Programa SUS Digital; e (iv) Produtos de informação para apoiar a Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA), incluindo recursos que integram o portal RIPSA ao Módulo de Gestão de Indicadores (MGDI).
  9. Como parte das iniciativas para incorporar os desenvolvimentos de Inteligência artificial foram alcançados importantes resultados nesse semestre: (i) implantação do serviço de Super Resumos na base Mosaico (Saúde integrativa); (ii) cobertura de aproximadamente 50% da base LILACS com Super Resumos gerados por grandes modelos de linguagem (LLM); e (iii) início da automatização do processamento para inclusão dos Super Resumos em novos registros de outras bases, como a BVS MS.  Além disso, foram definidos os critérios de ordenação por relevância nos resultados de busca, passo essencial para a futura implementação das Sínteses Narrativas.
  10. Em 2025, a BIREME e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/MS) avançaram na construção da BVS dos Povos Indígenas (BVS PI), com a seleção e inclusão de mais de 450 conteúdos relevantes sobre a saúde dos povos indígenas, como artigos científicos, vídeos, diretrizes, cursos e relatos de experiência.  A estrutura do portal da BVS PI foi desenhada com foco em acessibilidade, valorização cultural e visibilidade das experiências indígenas. Também foram desenvolvidas duas Vitrines do Conhecimento: Medicinas Tradicionais Indígenas e Emergência em Saúde Yanomami. As vitrines reúnem conteúdos selecionados e contextualizados sobre esses temas. Além disso, foi criada uma Linha do Tempo com os principais marcos históricos e institucionais relacionados à saúde indígena no Brasil. A versão beta do portal será lançada em outubro, em comemoração aos 15 anos da SESAI, reunindo em um único espaço conteúdos qualificados que fortalecem políticas públicas e ações em saúde indígena.

Os resultados alcançados no semestre refletem o compromisso da BIREME com a democratização do acesso à informação científica e técnica em saúde, em articulação com os países da Região e sob a liderança de seu Diretor, João Paulo Souza. Como centro especializado da OPAS/OMS vinculado ao Departamento de Evidência e Inteligência para Ação em Saúde (EIH), a BIREME conta com o apoio estratégico do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Saúde, e com a dedicação de sua equipe técnica e administrativa para seguir inovando, promovendo o trabalho em rede e fortalecendo políticas públicas em saúde com base em evidências.

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Rede BVS intensifica ações com países

O primeiro semestre de 2025 foi marcado por uma atuação estratégica da BIREME junto aos países da região da América Latina e Caribe, com ações voltadas ao fortalecimento das instâncias nacionais da rede de Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).

Por meio de iniciativas de cooperação técnica, as ações envolveram desde a atualização de conteúdos e plataformas tecnológicas até a reativação de comitês, e incluindo a retomada de projetos estratégicos e de capacitação, sempre com o objetivo de promover o acesso equitativo à informação científica e técnica em saúde na região.

Avanços concretos ocorreram em diferentes países:

  • As BVS nacionais do BrasilEl Salvador e Equador receberam apoio para a revisão de conteúdos de seus portais e passaram por atualização das versões de suas plataformas tecnológicas;
  • República Dominicana retomou as ações e realizou a primeira reunião do seu Comitê Consultivo e foi criada a LIDOCS – Literatura Dominicana em Ciências da Saúde a base de dados nacional;
  • Venezuela e Guatemala estão em fase de reativação de suas instâncias nacionais, com atividades de retomada do projeto e reuniões com os pontos focais nacionais e com as representações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no país;
  • Costa Rica retomou processo de revisão do portal e planejamento do seu lançamento; e
  • Argentina coordenou uma série de ações voltadas ao suporte da BVS BiViPsi, na área de psicanálise e psicologia.

Também se destaca o apoio da BIREME aos países da região do Caribe, com a participação institucional no evento ACURIL 2025 e capacitação sobre o sistema Fi-Admin, que contou com a participação de oito países membros da CARPHA – The Caribbean Public Health Agency, reforçando o compromisso dos países com a visibilidade da produção científica e técnica em toda a região.

Para além da região da América Latina e do Caribe, Moçambique também retomou as atividades para promover a visibilidade da produção científica de seu país, com uma série de ações orientadas à finalização do seu portal e futuro lançamento, além da criação da área temática para contribuição com as fontes Multimídia e LIS (Recursos de Internet) e a criação da base de dados sobre legislação, RSDM.

Entre outras ações relevantes, destacam-se também, 82 atualizações cadastrais de bibliotecas centros cooperantes (CC/ALC), criação de bases de dados no FI-Admin (LIDOCS da República Dominicana e IPA do Reino Unido), e o suporte para atualização das fontes de informação, entre outras.

Contribuição para as fontes de informação

No primeiro semestre de 2025, a contribuição para as bases de dados somou mais de 20 mil novos registros em 60 bases de dados bibliográficas por 218 centros cooperantes de 23 países e mais de 60 mil registros atualizadas por 324 centros cooperantes de 23 países.

As dez bases de dados com maior contribuição podem ser vistas no Quadro 1, abaixo:

Criação de novos registros Curadoria e controle de qualidade
LILACS (AL&C) 14.878 LILACS (AL&C) 50.489
BDENF (Iberoamérica) 1.509 BDENF (Iberoamérica) 7.838
VetIndex (Brasil) 1.472 VetIndex (Brasil) 2.485
BBO (Brasil) 1.084 IndexPsi (AL&C) 2.038
Coleciona-SUS (Brasil) 758 BBO (Brasil) 1.750
RSDM (Moçambique) 663 CUMED (Cuba) 1.470
BiViPsi (Argentina) 657 Coleciona-SUS (Brasil) 1.441
IndexPsi (AL&C) 654 BINACIS (Argentina) 1.293
SES-SP (Brasil) 524 RSDM (Moçambique) 1.001
SMS-SP (Brasil) 422 SES-SP (Brasil) 886

 

O Quadro 2 (abaixo) representa a contribuição por país, considerando a criação de novos registros e a indexação e revisão de registros coletados ou criados via iniciativa LILACS Express.

Criação de novos registros Curadoria e controle de qualidade
Brasil (inclui BIREME) 12.806 (61,2%) Brasil (inclui BIREME) 36.153 (59,68%)
Cuba 1.215 Chile 12.639
Uruguai 1.182 Cuba 2.583
Colômbia 1.179 Argentina 2.305
México 993 Colômbia 1.490
Argentina 850 Uruguai 1.241
Peru 715 Moçambique 1.008
Moçambique 673 México 986
Chile 310 Peru 821
Bolívia 212 Bolívia 280
Venezuela 115 Costa Rica 143
El Salvador 106 El Salvador 132
Costa Rica 105 República Dominicana 120
Congo 103 Venezuela 118
Guatemala 77 Congo 107
Paraguai 64 Equador 97
Portugal 51 Guatemala 84
Honduras 51 Honduras 75
Panamá 47 Portugal 73
Equador 47 Paraguai 71
República Dominicana 23 Panamá 49
Estados Unidos 5
Trinidad e Tobago 1

O resultado de todas essas iniciativas converge para o objetivo estratégico da BIREME, ou seja, integrar as instâncias de BVS nacionais ao Portal Regional da BVS, que contará com uma arquitetura de informação mais inclusiva e moderna. Em desenvolvimento, a nova estrutura permitirá que todos os países da Rede BVS, mesmo sem portal nacional ativo, tenham seu espaço assegurado do Portal Regional, ampliando a visibilidade de sua produção científica e técnica em saúde.

Encontros com a Rede

Além das ações pontuais com os países, a BIREME coordena durante todo o ano, o programa de Fortalecimento das Redes de Informação em Saúde na América Latina e Caribe, promovendo uma série de webinários orientados para o desenvolvimento de capacidades com as redes BVS, LILACS, e DeCS, contribuindo para a democratização do acesso e visibilidade do conhecimento científico em saúde nos países da região.

No primeiro semestre de 2025, foram realizados 10 encontros, reunindo 1.290 conexões de participantes de 28 países, que abordaram temas como uso de inteligência artificial, boas práticas nos processos editoriais, indexação, entre outros. As apresentações foram conduzidas por especialistas especialmente convidados para a participação e intercâmbio de conhecimento com os integrantes das redes de informação em saúde.

Ao investir no fortalecimento da Rede BVS, a BIREME reafirma seu papel como centro especializado da OPAS/OMS na promoção do acesso equitativo à informação em saúde, contribuindo para o desenvolvimento de capacidades locais e para a consolidação da BVS como instrumento colaborativo, sustentável e acessível, que reflete a diversidade e as necessidades dos sistemas de saúde da América Latina e Caribe.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/07/31/rede-bvs-bireme-intensifica-acoes-de-cooperacao-com-paises/

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BVS SMS-SP: Avanços e Perspectivas

Projeto fortalece gestão do conhecimento em saúde pública no município de São Paulo

A terceira fase do projeto de cooperação técnica entre a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), por meio da BIREME, e a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), encerrou no primeiro semestre de 2025 com avanços significativos na manutenção e inovação da Biblioteca Virtual em Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (BVS SMS-SP). O período foi marcado pela entrega das metas e cronograma estabelecidos, consolidando a BVS como ferramenta estratégica de gestão da informação e apoio à decisão no SUS municipal.

Renovação e modernização do Portal da BVS SMS-SP

Entre as ações de destaque, está a reestruturação do portal da BVS SMS-SP, com melhorias na usabilidade, arquitetura da informação e design. As mudanças foram guiadas pelas demandas da equipe da Escola Municipal de Saúde (EMS). Novas seções e conteúdos foram propostos como a inclusão de duas novas fontes de informação: Segunda Opinião Formativa e a Biblioteca de Saúde Wolters Kluwer uma plataforma digital que reúne conteúdos educacionais e clínicos em diversas especialidades da área da saúde, ampliando assim o acesso a conteúdo qualificados e diversificados, fortalecendo a produção científica, o apoio à decisão em saúde e a formulação de políticas públicas. Também foi discutido a implementação de áreas temáticas para facilitar o acesso à informação científica e técnica. Três áreas prioritárias foram inicialmente definidas: Saúde do Trabalhador, Ação Educativa e Dermatologia. Além disso, a seção Rede BVS SMS-SP dá visibilidade à rede de colaboração, fortalecendo o engajamento institucional, a legitimidade da iniciativa e a valorização do trabalho colaborativo na produção e disseminação da informação em saúde.

Fortalecimento da rede de colaboração e capacitações técnicas

As ações realizadas com a rede de colaboração da BVS SMS-SP foi outro ponto alto do semestre. Reuniões com as instâncias de governança, como a realizada em fevereiro de 2025, reforçaram o papel estratégico da BVS na valorização da produção científica e técnica da Secretaria. A BIREME também participou e apoiou na organização do 1º Simpósio “O Panorama do Ensino em Saúde no Município de São Paulo”, com palestras sobre inteligência artificial, ética na pesquisa e novas ferramentas de apoio à ciência.

As capacitações presenciais realizadas no âmbito da BVS SMS-SP envolveram diversos profissionais das áreas técnicas da SMS-SP, com foco no fortalecimento das competências em gestão da informação. A capacitação voltada à gestão e atualização das bases de dados da BVS SMS-SP abordou temas que vão desde os critérios para seleção documental até o uso da plataforma FI-Admin para o registro e a publicação de diferentes tipos de materiais, como relatórios técnicos, artigos científicos, trabalhos apresentados em congressos, legislação e conteúdo multimídia. Uma oficina específica sobre relatos de experiências reforçou o valor do compartilhamento de boas práticas em saúde pública como forma de ampliar a visibilidade de ações bem-sucedidas no Município. Já a oficina sobre Vitrines do Conhecimento teve como objetivo capacitar os participantes para a curadoria e organização temática de conteúdos, promovendo a disseminação de informações alinhadas às prioridades locais em saúde.

Relatos de experiências e vitrines do conhecimento ampliam a visibilidade e acesso

Durante o período, novos oito relatos de experiências foram finalizados e publicados, com temáticas que vão desde planejamento regional até iniciativas como o “Dia do Morcego” e a história da COREMU. Todo o processo — da gravação à edição e publicação — foi acompanhado tecnicamente pela equipe da BIREME, com foco na padronização metodológica, qualidade editorial e valorização das experiências e dos autores.

As Vitrines do Conhecimento ganharam destaque neste último ano do projeto, tornando-se uma importante ferramenta de valorização e visibilidade das ações desenvolvidas pelas áreas técnicas da SMS-SP. O crescente interesse das equipes resultou na criação de novas temáticas, impulsionando a realização de uma oficina em abril de 2025, que capacitou os profissionais para o desenvolvimento e manutenção de vitrines alinhadas às prioridades institucionais.

A vitrine sobre Atenção Básica foi desenvolvida pela BIREME no âmbito do projeto, em articulação com especialistas no tema e apresenta a estrutura, os programas e as diretrizes da Atenção Básica no município de São Paulo, voltada a profissionais da saúde e ao público em geral, destacando ações de cuidado integral realizadas por equipes multiprofissionais em territórios definidos. A partir da oficina, novas vitrines passaram a ser desenvolvidas pelas áreas interessadas, também com a participação de especialistas, como as de Vigilância em Zoonoses (já publicada), COREME HSPM e Linha de Cuidado da Dor, fortalecendo a capacidade local de curadoria de conteúdos e a disseminação de informações estratégicas em saúde pública.

Equipes BIREME e SMS-SP em Simpósio: “O Panorama do Ensino em Saúde no Município de São Paulo – SMS-SP”

Perspectivas para a Fase IV: continuidade, ampliação e internacionalização

A conclusão da Fase III marca não apenas o encerramento de um ciclo com entregas, expressas na produção e qualificação de diversos produtos de informação em saúde, mas também abre caminho para a renovação do projeto por meio de uma Fase IV, atualmente em tramitação com a Escola Municipal da Saúde. A nova fase incorpora a perspectiva de internacionalização das ações da BVS SMS-SP, com a proposta de integrar suas experiências exitosas a redes regionais de conhecimento, promovendo o intercâmbio técnico, a ampliação da visibilidade internacional da produção científica da Secretaria e o alinhamento com iniciativas desenvolvidas em outros países da América Latina e do Caribe.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/07/31/__trashed-3/

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Biblioteca Global de Medicinas Tradicionais da OMS em evento MTCI

A Biblioteca Global de Medicinas Tradicionais da Organização Mundial da Saúde (WHO TMGL, na sigla em inglês) foi apresentada por João Paulo Souza, diretor da BIREME, como parte da programação da Consulta Regional para Priorização de Pesquisa em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI), realizada nos dias 11 e 12 de junho, em São Paulo. O evento foi organizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio dos Departamentos de Sistemas e Serviços de Saúde (HSS) e Determinantes Sociais e Ambientais para a Equidade em Saúde (DHE), e de seu Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu Centro Global de Medicina Tradicional (GTMC). O objetivo da apresentação foi contextualizar historicamente e apresentar o estágio atual de desenvolvimento da TMGL, de modo a promover um diálogo construtivo e colher comentários e sugestões de aprimoramento dos participantes.

Em sua apresentação, João Paulo Souza contextualizou a origem e os marcos políticos que impulsionaram a criação da TMGL, destacando a crescente valorização dos saberes tradicionais em fóruns internacionais, como as Cúpulas dos BRICS e do G20, ambas realizadas em 2023, na África do Sul e Índia, respectivamente. “A recomendação de fortalecimento das práticas tradicionais seguida de uma contribuição financeira voluntária do governo da Índia à OMS contribuíram para a consolidação do projeto”, situou João Paulo. A iniciativa passou, então, a ser desenvolvida em parceria com a BIREME, aproveitando a expertise acumulada pelo Centro na construção de bibliotecas digitais, com destaque para a BVS MTCI Américas, que aborda a mesma temática.

Atualmente em fase pré-beta, a TMGL vem sendo implementada em etapas até alcançar a versão 1.0, cujo lançamento está previsto para dezembro de 2025, a ser realizado durante a 2ª Cúpula Global de Medicinas Tradicionais da OMS, na Índia. A plataforma contempla um portal global, seis portais regionais e 194 páginas de países, além de uma série de coleções temáticas – como Ayurveda e Parteria Tradicional – e ferramentas especializadas como o “Traditional Index Medicus” (TIM), um índice integrado dos jornais e revistas científicas especializadas em MTCI. Com cerca de 1,7 milhão de documentos já integrados, a TMGL também oferecerá acesso a bases de dados, publicações científicas, repositórios digitais, mapas de evidências (desenvolvidos em colaboração com CABSIN e outros parceiros) e recursos de inteligência artificial voltados a ampliar o acesso de gestores, profissionais de saúde, praticantes de MTCI e a pessoas interessadas em temas relacionados à MTCI.

Um aspecto central da apresentação foi a abordagem metodológica participativa adotada pela equipe do projeto. Souza destacou o uso de ferramentas digitais e dinâmicas interativas para coleta de sugestões durante o evento, permitindo que os participantes contribuíssem diretamente com sua avaliação e observações orientadas ao aprimoramento da biblioteca. “Essa estratégia reafirma a visão da TMGL como uma plataforma viva, construída com base no diálogo com especialistas e usuários, e orientada por um compromisso de longo prazo, inspirado na trajetória de 27 anos da BVS”, afirmou o diretor. A imagem abaixo registra alguns dos participantes durante as atividades.

Com base nos aportes dos participantes, Mirelys Puerta Díaz, gestora do produto e ponto focal na BIREME para o desenvolvimento da TMGL, sintetizou as principais sugestões aportadas pelas discussões em grupo:

  • Inclusão e acessibilidade: ampliar os recursos de tradução e oferecer formatos acessíveis e materiais audiovisuais, com interfaces adaptadas culturalmente para públicos diversos, incluindo povos indígenas e usuários com deficiência.
  • Transparência e organização do conteúdo: estabelecer critérios claros de curadoria, categorização por sistemas médicos e autoria, e implementar filtros de busca avançada por tema, país e tipo de documento.
  • Governança e participação social: criar comitês editoriais representativos, mecanismos participativos de consulta e validação de conteúdo com stakeholders locais, além de espaços para construção colaborativa do conhecimento.
  • Valorização de saberes locais: promover a documentação de boas práticas, histórias de vida e experiências comunitárias em saúde tradicional, com ênfase na aplicação prática e impacto nas políticas públicas.
  • Sustentabilidade e Melhoria Técnica: aprimorar a experiência de navegação, garantir atualizações periódicas e desenvolver estratégias de financiamento e capacitação digital, especialmente voltadas a contextos de difícil acesso.

Díaz acrescenta que componentes de transparência já estão sendo incorporados no atual estágio de desenvolvimento do produto, por meio da abordagem ágil do framework Scrum, o que tem permitido entregas incrementais com foco contínuo em valor e centradas no interesse e experiência do usuário. “Com a adoção dessa metodologia de gestão, temos viabilizado respostas ágeis às necessidades emergentes, garantindo que a TMGL evolua de forma estruturada, com base em escuta ativa e co-criação com os usuários, especialistas em MTCI e stakeholders”, explicou Mirelys.

A Consulta Regional para Priorização de Pesquisa em MTCI nas Américas foi realizada no âmbito de uma iniciativa mais ampla da OMS, voltada a fortalecer práticas baseadas em evidências nas diversas regiões do mundo. O objetivo é promover uma integração mais efetiva dessas práticas aos sistemas de saúde, ancorando-as no diálogo intercultural. Nesse contexto, a TMGL se destaca como um dos principais pilares da estratégia, ao oferecer um ambiente digital robusto, inclusivo e sensível à pluralidade de saberes e às diferentes políticas relacionadas à saúde tradicional globalmente.

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Consulta Regional define prioridades de pesquisa em Medicina Tradicional

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio dos Departamentos de Sistemas e Serviços de Saúde (HSS) e Determinantes Sociais e Ambientais para a Equidade em Saúde (DHE), e de seu Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu Centro Global de Medicina Tradicional (GTMC), realizaram no Brasil, nos dias 11 e 12 de junho, a Consulta Regional para Priorização de Pesquisa em Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI). Com cerca de 50 participantes, o evento reuniu representantes de ministérios da saúde, especialistas internacionais, pesquisadores, lideranças e organizações indígenas de países das Américas, consolidando um espaço de debate sobre aspectos relacionados às prioridades para a pesquisa no campo das MTCI.

Esta consulta faz parte de uma série de exercícios que estão sendo realizados globalmente e foi estruturada em torno de apresentações de especialistas e uma série de debates guiados sobre cinco temas-chave. A metodologia foi coordenada por facilitadores da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS), que conduziram as atividades em grupo. Os participantes debateram sobre os principais desafios, condições de infraestrutura, tomada de decisões baseada em evidências, identificação de lacunas e formas de identificar e medir o sucesso de futuras agendas de pesquisa. Além disso, a programação incluiu a apresentação da Biblioteca Global de Medicinas Tradicionais da OMS, desenvolvida pela BIREME em colaboração com o Centro Global de Medicina Tradicional da OMS (WHO GTMC, na sigla em inglês), bem como atividades de integração cultural entre as equipes e os participantes.

A cerimônia de abertura contou com a presença de Gustavo Rosell de Almeida, assessor em Sistemas e Serviços de Saúde da OPAS/OMS; Geetha Krishnan Pillai, chefe da Unidade de Pesquisa e Evidência do GTMC da OMS; João Paulo Souza, diretor da BIREME/OPAS/OMS; Daniel Amado, assessor técnico e gerente de projetos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) do Ministério da Saúde do Brasil; e Ileana Fleitas, assessora em Medicamentos, Tecnologias e Pesquisa em Saúde, representando Cristian M. Fuhrimann, Representante da OPAS no Brasil.

Rosell de Almeida destacou a importância de contar com representantes dos países da Região para facilitar o intercâmbio de experiências e avançar em consensos sobre as prioridades de pesquisa em MTCI. Por sua vez, João Paulo Souza afirmou: “Este é um evento fundamental que acontece em São Paulo nesta semana. Nele, trabalhamos com representantes de diversos países, incluindo povos indígenas e originários de nossa região, Brasil e outros países das Américas, para abordar as prioridades de pesquisa no âmbito das medicinas tradicionais, complementares e integrativas. Isso é essencial, pois buscamos ampliar o acesso e melhorar a articulação das práticas tradicionais, complementares e integrativas com os sistemas nacionais de saúde. Isso se dá por meio da geração de novo conhecimento, o que aqui chamamos de pesquisa.”

Da mesma forma, Geetha Krishnan Pillai, do GTMC da OMS, reiterou o compromisso internacional com o tema: “Trabalhamos para criar evidências robustas e plataformas inclusivas que respeitem o valor intrínseco e a diversidade das medicinas tradicionais, apoiando sua integração com os sistemas de saúde. Para milhões de pessoas, a medicina tradicional é a primeira opção de cuidado, especialmente onde o acesso é limitado. Fortalecer a base de evidências e valorizar o conhecimento local amplia a autonomia das pessoas e torna o cuidado em saúde mais acessível, culturalmente relevante e sustentável.”

Durante os dois dias, foram debatidas as prioridades de pesquisa, a preservação e transmissão dos saberes tradicionais, aspectos regulatórios de infraestrutura e financiamento para a pesquisa em MTCI, o desenvolvimento de metodologias apropriadas e o fortalecimento de capacidades em comunidades indígenas, pesquisadores locais e provedores de cuidados em saúde. Nesse contexto, Kim Sungchol, chefe da Unidade de MTCI da OMS, realizou uma apresentação centrada na nova Estratégia Global para as Medicinas Tradicionais (2025–2034), na qual destacou: “Um dos principais desafios na pesquisa em medicinas tradicionais é a proteção e documentação dos saberes tradicionais, especialmente dos indígenas, garantindo o respeito aos direitos das comunidades e prevenindo a apropriação indevida.”

Por sua vez, Ileana Fleitas ressaltou a relevância do evento para a Região: “Para a OPAS, esta consulta global sobre pesquisa em medicina tradicional, realizada no Brasil, é de enorme importância. É fundamental garantir que este conhecimento ancestral ocupe o seu devido lugar nos sistemas de saúde, reconhecendo-o como um direito dos povos e fortalecendo a regulamentação e integração dessas práticas. O protagonismo do Brasil e a contribuição da BIREME, especialmente na criação da Biblioteca Global de Medicina Tradicional, demonstram como a região pode liderar avanços para valorizar o conhecimento tradicional em escala global.”

Os documentos de apoio ao evento estão disponíveis em espanhol, inglês e português e podem ser acessados na página online Consulta Regional sobre Priorização de Pesquisa em Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) | BVS MTCI, desenvolvida pela BIREME/OPAS/OMS. Ali estão reunidas fontes de informação como o programa, imagens, vídeos e outros materiais, como parte das ações de gestão da informação e do conhecimento que apoiam o evento.

Contexto histórico

Priorizar a pesquisa sobre medicina tradicional faz parte de um esforço global da OMS para fortalecer o papel dessas práticas nos sistemas de saúde, em consonância com marcos como a Declaração de Alma-Ata (1978) e a Declaração de Astana (2018), que reconhecem seu valor no contexto da atenção primária à saúde (APS). Desde a publicação das Estratégias Globais sobre Medicina Tradicional (2002-2005 e 2014-2023), passando pela Declaração de Gujarat até a recém-aprovada Estratégia 2025–2032, a OMS tem promovido a articulação entre os conhecimentos tradicionais e a produção de evidências como ferramenta para avançar em direção a sistemas de saúde mais equitativos, resilientes e centrados nas pessoas.

Embora a base de evidências sobre medicina tradicional e complementar tenha se ampliado nas últimas décadas, ainda persistem desafios significativos, como a fragmentação da pesquisa e a ausência de diretrizes globais para traduzir o conhecimento em práticas seguras e eficazes. O processo de priorização realizado nas Américas e em outras regiões do mundo busca justamente superar essas barreiras, promovendo a construção coletiva de agendas de pesquisa alinhadas à diversidade cultural e às necessidades das pessoas e comunidades.

Nesse contexto, Rosell de Almeida enfatizou a importância do diálogo intercultural: “Fortalecer a atenção primária à saúde exige incorporar e articular os saberes das medicinas tradicionais, promovendo uma abordagem mais integral, centrada nas pessoas e não apenas nas doenças. Para isso, é fundamental manter o diálogo e valorizar as experiências dos povos indígenas, pesquisadores e gestores, construindo juntos melhores condições de saúde para todos”.

Como próximos passos, a OMS e a OPAS delinearam ações que incluem o estabelecimento de mecanismos para proteger os conhecimentos tradicionais, a elaboração de diretrizes para articular a medicina tradicional com os sistemas biomédicos e a formação de grupos de trabalho em nível regional. Nesse sentido, a OPAS desenvolverá um plano estratégico regional em diálogo com governos, especialistas, acadêmicos, comunidades e povos indígenas, cujos resultados preliminares serão apresentados na Cúpula Global sobre Medicina Tradicional, que será realizada em dezembro na Índia.

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Sobre as práticas integrativas e saúde indígena em São Paulo

Nos dias 10 e 13 de junho de 2025, representantes da Organização Panamericana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) realizaram visita técnica a dois serviços municipais de saúde integrativa e indígena em São Paulo, com o objetivo de conhecer experiências inovadoras e dialogar sobre a Biblioteca Global de Medicina Tradicional, desenvolvida pela BIREME com o Centro Global de Medicina Tradicional da OMS (WHO GTMC, na sigla em inglês).

As visitas foram coordenadas pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS-SP), por meio da Área Técnica de Saúde Integrativa/PICS, sob liderança de Adalberto Kiochi Aguemi, diretor da Divisão de Promoção da Saúde. Pela OPAS e OMS, participaram Geetha Krishnan Pillai, coordenador de Pesquisa e Evidência do GTMC da OMS; João Paulo Souza, diretor do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME); e Daniel Gallego-Pérez, consultor no Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde (HSS).

Centro de Referência em Práticas Integrativas e Complementares (CRPICS) Bosque da Saúde

No dia 10 de junho, a comitiva visitou o CRPICS Bosque da Saúde, na região sudeste da capital paulista. No encontro, as equipes da SMS-SP compartilharam experiências com o modelo de atenção integrada à saúde, implementado no contexto da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS), e o Programa Municipal Qualidade de Vida com Medicinas Tradicionais e Práticas Integrativas em Saúde. Além de conhecer as instalações da unidade, foram apresentados os resultados, a estrutura e a abrangência da iniciativa, em curso desde 2001, com a oferta de 22 práticas como acupuntura, ioga, meditação, dança circular, auriculoterapia, entre outras.

Em destaque, a Terapia Comunitária Integrativa (TCI), modalidade orientada para a promoção da saúde e alívio do sofrimento mental, que é realizada em sessões de conversa em grupo mediadas por terapeuta comunitário treinado, e que é considerada uma prática original do Brasil. Outra inovação local é a oferta, desde 2016, do Programa de Residência Multiprofissional em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, o primeiro do país voltado à formação técnica de trabalhadores da saúde, com 5760 horas de aprendizado teórico e prático.

“É um orgulho imenso ver o Brasil como expoente e guardião de práticas ancestrais, preservando este celeiro de cuidado para as futuras gerações. Como formadora de profissionais de saúde, é emocionante perceber que novos médicos reconhecem, já durante a formação, a importância da complementaridade além da biomedicina. Práticas brasileiras, como capoeira, terapia comunitária e fitoterapia, despertam interesse internacional e mostram a força do Brasil em inovar e contribuir com soluções genuínas e humanizadoras para a saúde mundial. Em tempos tão desafiadores, oferecer tecnologias leves e profundamente enraizadas na nossa cultura tem um enorme valor para a saúde pública”, declarou Jussara Otaviano, enfermeira do Instituto Afinando Vidas e responsável pela formação de terapeutas comunitários.

UBS Indígena Aldeia Jaraguá Kwarãy Djekupé

No dia 13 de junho, a equipe visitou a Unidade Básica de Saúde Indígena Aldeia Jaraguá Kwarãy Djekupé, situada na Terra Indígena Jaraguá, zona norte de São Paulo, território que abriga cerca de 850 pessoas da etnia Guarani, distribuídas em sete comunidades. A unidade é referência na valorização do protagonismo indígena: dos 27 profissionais da Equipe Multidisciplinar de Atenção Básica à Saúde Indígena (EMSI), 18 são indígenas, atuando em funções que vão da gerência à assistência social, e incluindo agentes de saúde, enfermagem, agentes de saneamento, entre outras áreas técnicas e administrativas.

A recepção aos visitantes aconteceu na okã (casa de reza), espaço sagrado para os Guarani, que percebem a saúde de forma indissociada da espiritualidade e da preservação cultural. O acolhimento incluiu cânticos, danças e rituais tradicionais como o “tchondaro”, conduzidos por cerca de 20 integrantes da comunidade. Durante a visita, lideranças indígenas compartilharam suas perspectivas sobre o papel do serviço de saúde, a valorização de práticas tradicionais e demandas prioritárias, como o fortalecimento da saúde indígena, o reconhecimento institucional e a representatividade em fóruns nacionais e internacionais. Em um ambiente de intercâmbio e comunhão, a experiência foi encerrada com partilha de alimentos típicos preparados para a ocasião – “txipá” (pão frito servido com mel), milho e batata-doce cozidos, e chá de erva cidreira.

Para Adalberto Aguemi, a importância desta visita está justamente na aproximação com um centro relevante de documentação científica e na valorização da sistematização das medicinas tradicionais. “Conhecimento não é apenas o biomédico convencional; há um saber ancestral, transmitido oralmente por diversos povos, que precisamos fortalecer. Esta iniciativa global liderada pela BIREME e OMS é fundamental para preservar culturas ameaçadas, compartilhar práticas de promoção da saúde e criar instrumentos para enfrentar novos e históricos desafios”, afirmou, ao ressaltar os potenciais benefícios que esta visão ampliada de saúde, ciência e cuidados tem para as comunidades.

Saber local, relevância global

As visitas reforçam a importância de reconhecer, documentar e valorizar práticas de saúde que dialogam com saberes tradicionais e a diversidade cultural dos territórios. Para João Paulo Souza, diretor da BIREME, são experiências que ampliam o olhar sobre a saúde pública e inspiram soluções inovadoras e integrativas em escala global.

“As práticas de medicina indígena do povo guarani – que englobam a alimentação tradicional, o exercício físico, o uso de ervas medicinais da Mata Atlântica, além de práticas integrativas como as conversas matinais sobre os sonhos e uma cosmovisão voltada à convivência harmônica com o meio ambiente – têm contribuído para a saúde e o bem-viver das populações originárias no território que hoje corresponde ao estado de São Paulo há centenas de anos. Reconhecer e valorizar essas práticas, articulando-as com os serviços regulares de saúde, representa uma oportunidade de crescimento mútuo e fortalecimento intercultural”, destacou o diretor. A partir de uma solicitação de cooperação técnica, a BIREME buscará apoiar a codificação dessas práticas tradicionais nos sistemas de informação em saúde, bem como contribuir para sua visibilização e valorização no contexto da TMGL.

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Comitê Consultivo da BVS República Dominicana em operação

A República Dominicana deu um passo fundamental em sua trajetória de fortalecimento da produção científica nacional ao realizar, no dia 29 de maio de 2025, a primeira reunião do Comitê Consultivo da Biblioteca Virtual em Saúde do país, conhecida informalmente como “BVS-DOM”. O encontro ocorreu na sede da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPS/OMS) em Santo Domingo, e contou com a participação de representantes de universidades, centros de documentação, sociedades médicas e órgãos do Ministério da Saúde Pública e Assistência Social (MISPAS) do país.

Marco para a informação em saúde

O objetivo central da reunião foi estabelecer as bases operacionais e estratégicas para o funcionamento conjunto dos Comitês Consultivo e Técnico da BVS-DOM, validando metodologias de trabalho, responsabilidades institucionais e os próximos passos para consolidação do portal como referência de acesso aberto à informação científica e técnica em saúde no país.

Segundo a Dra. Penélope Parra, da Divisão de Gestão do Conhecimento do MISPAS da República Dominicana, “a reativação da BVS-DOM responde à necessidade de termos uma rede nacional colaborativa, capaz de apoiar a tomada de decisão em saúde baseada em evidências fortalecendo a pesquisa científica do país e de toda a Região das Américas.”

A BVS-DOM adota um modelo de governança integrada, com a criação dos Comitês Consultivo e Técnico, contando com a atuação de uma rede de centros cooperantes. Os centros cooperantes são constituídos por instituições como universidades, institutos de pesquisa, sociedades científicas, associações profissionais, ministérios ou departamentos de saúde, editoras e outras instituições relacionadas, sejam elas governamentais, não governamentais ou privadas – que devem empregar a metodologia LILACS na gestão de seus produtos de informação científica e técnica.

Na reunião, o Comitê Técnico foi definido como responsável pela coordenação das ações técnicas operacionais, a partir da estruturação de três comissões principais. A primeira será dedicada à gestão do conteúdo do portal, assegurando a qualidade e atualização das informações disponibilizadas. A segunda comissão terá como foco o apoio e o monitoramento da capacitação contínua dos centros cooperantes, promovendo o desenvolvimento das competências necessárias para a gestão e utilização dos recursos da BVS-DOM. Por fim, a terceira comissão será responsável pela promoção dos conteúdos e pelo fortalecimento de alianças estratégicas, ampliando a visibilidade e o alcance da produção científica nacional.

Cooperação regional

O processo de reativação da BVS-DOM conta com o suporte técnico da BIREME/OPAS/OMS e de parceiros como o Instituto Tecnológico de Santo Domingo (INTEC), além do Ministério da Saúde da República Dominicana. A cooperação técnica foi reconhecida e valorizada durante a reunião do Comitê Consultivo. “Essa articulação fortalece a visibilidade da produção científica dominicana e aproxima o país das melhores práticas regionais de gestão da informação em saúde”, destacou Penélope Parra. Para Pedro López Puig, assessor de Sistemas e Serviços de Saúde da Representação da OPAS/OMS na República Dominicana, “O portal BVS na República Dominicana é já uma realidade institucionalizada, resultado do trabalho conjunto e do apoio da BIREME.”

Histórico

A trajetória da BVS-DOM remonta ao final dos anos 1980, quando, com o apoio da BIREME, foram lançadas as primeiras iniciativas para organizar e democratizar o acesso à informação científica em saúde no país. Entre 2001 e 2014, a BVS-DOM registrou avanços significativos, como o lançamento da primeira versão de seu portal, a digitalização de documentos oficiais e a incorporação de registros na base de dados LILACS. A partir de 2021, o Ministério da Saúde assumiu a liderança do processo para a reativação da BVS-DOM, culminando, em 2023, com a assinatura de um novo acordo interinstitucional.

Em 2025, a criação dos Comitês Consultivo e Técnico e a consolidação de uma rede nacional de Centros Cooperantes marcam uma nova etapa de desenvolvimento, conectando o país às melhores práticas regionais de gestão da informação e promovendo o acesso aberto à produção científica e técnica nacional.