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BVS Costa Rica: acesso aberto e gestão da informação

A Caixa Costarricense de Seguro Social (CCSS) e o Centro de Desenvolvimento Estratégico e Informação em Saúde e Segurança Social (CENDEISSS) realizaram o lançamento oficial da nova plataforma da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) Costa Rica, em um evento transmitido online com a participação de autoridades nacionais e internacionais, o representante da OPAS/OMS no país, o diretor da BIREME e equipes.

A atividade contou com palavras de abertura da Dra. Sandra Rodríguez Ocampo, em representação do Dr. Juan Carlos Esquivel Sánchez, diretor do CENDEISSS, que destacou que este lançamento marca “um marco estratégico para a saúde costarricense” ao consolidar uma estratégia nacional orientada para fortalecer a governança do conhecimento e garantir o acesso equitativo a informação científica confiável e atualizada.

O representante da OPAS/OMS na Costa Rica, Dr. Alfonso Tenorio Neco, parabenizou o país por “décadas de trabalho sustentado em favor do acesso à evidência científica” e exortou a divulgar essa conquista como um exemplo para outros países da região.

BVS Costa Rica integra-se ao modelo regional promovido pela BIREME/OPAS/OMS, reafirmando o compromisso do país com a cooperação técnica, a interoperabilidade de sistemas e a visibilidade da produção científica nacional. O novo portal reúne mais de 8.000 registros bibliográficos, 14 periódicos científicos nacionais e múltiplas fontes institucionais, incluindo a CCSS, o Ministério da Saúde, o Instituto sobre Alcoolismo e Farmacodependência (IAFA), universidades e instituições de saúde.

Durante sua intervenção, o Dr. João Paulo de Souza, diretor da BIREME, lembrou que a Costa Rica foi pioneira no modelo BVS desde a “Declaração de San José” em 1998, e destacou que este relançamento “representa um passo firme em direção à ciência aberta e ao acesso equitativo ao conhecimento”.

A gerente de Produtos e Serviços de Informação da BIREME, Verónica Abdala, destacou a importância do trabalho colaborativo que permitiu a renovação da plataforma: “A BVS não é construída por uma única instituição, mas como uma rede viva que se renova continuamente”, destacando a coordenação nacional de Magali Morales Ramírez e sua equipe do CENDEISSS, e a participação da BIREME.

Em sua apresentação, Magalli Morales Ramírez, chefe da Área de Informação do CENDEISSS, fez uma demonstração detalhada do novo portal da BVS Costa Rica, destacando suas principais inovações tecnológicas e funcionalidades. Entre elas estão a integração de múltiplas fontes nacionais, como o repositório da CCSS, os periódicos indexados na LILACS e SciELO, e os conteúdos produzidos por universidades e instituições de saúde. Magalli enfatizou que o objetivo central da plataforma é “democratizar o conhecimento, reduzir lacunas e fortalecer as decisões baseadas em evidências”, consolidando um ecossistema nacional de informação em saúde.

A nova BVS Costa Rica incorpora ferramentas inovadoras, amplia as possibilidades de pesquisa e promove a integração de bancos de dados nacionais e internacionais. Com este relançamento, a Costa Rica reafirma seu compromisso com a equidade em saúde, a ciência aberta e a cooperação regional, consolidando-se como referência em gestão do conhecimento em saúde nas Américas.

BVS Costa Rica – https://costarica.bvsalud.org/

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/10/29/bvs-costa-rica-acesso-aberto-e-gestao-da-informacao/

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Resumos by IA para a melhoria na descrição bibliográfica

A integração da Inteligência Artificial (IA) nos produtos e serviços da BIREME/OPAS/OMS é um passo estratégico para tornar mais ágil e eficiente a gestão e a disseminação da informação em saúde. Com o uso de técnicas de IA, é possível otimizar o processo de indexação automática, melhorar a recuperação da informação nas interfaces de busca da BIREME, e realizar a análise de dados para tomada de decisões, entre outros benefícios.

Na área de Fronteiras Digitais, a BIREME já conta com iniciativas sustentáveis que utilizam ferramentas de Inteligência Artificial para aprimorar os processos de gestão e disseminação da informação. Entre essas iniciativas, destacam-se o Super Resumos, que sintetiza o conteúdo de resumos de artigos científicos e o DeCS Finder IA, que auxilia no processo de indexação bibliográfica utilizando o vocabulário controlado DeCS/MeSH. Além disso, está em desenvolvimento o processo de indexação totalmente automática, algo único na Região. Este novo produto, Resumos by IA, tem como objetivo a geração de resumos a partir do texto completo para a melhoria na descrição bibliográfica. Um destaque desse novo produto é o benefício direto na qualidade da indexação automática e toda a cadeia da descrição bibliográfica.

A descrição de um documento precisa ser o mais completa possível, pois dela depende a qualidade da indexação e a precisão na recuperação das informações. Em processos de organização e catalogação, especialmente em ambientes digitais, cada detalhe faz diferença: desde o título até os metadados que descrevem o conteúdo, o contexto e o objetivo do documento. Uma descrição detalhada permite que os usuários encontrem com mais facilidade o que procuram e garante a integridade e a acessibilidade do acervo informacional.

Para a indexação por meio de um tesauro, quanto mais informações relevantes forem incluídas, melhor será o resultado. Além dos metadados básicos, é fundamental que o documento possua um resumo ou abstract completo, capaz de oferecer mais dados para o processo de indexação, compreensão do documento descrito e sua contextualização. Essa riqueza de informações contribui para uma busca mais precisa e para uma síntese mais fiel do conteúdo. Por essa razão, a BIREME, no contexto das Fronteiras Digitais e do desenvolvimento com ferramentas de IA, iniciou um projeto voltado à geração automática de resumos a partir do texto completo, em três idiomas.

Há, no entanto, diversos desafios a serem enfrentados nessa iniciativa, especialmente no que diz respeito ao tratamento dos textos completos. Um dos pontos mais críticos é a conversão de documentos em formato PDF para texto, etapa essencial para tornar o conteúdo legível e processável pelos sistemas de Inteligência Artificial. Essa transformação é necessária para que os algoritmos possam identificar, compreender e resumir adequadamente as informações presentes no documento. Superar esse desafio técnico é fundamental para garantir a qualidade dos resumos gerados e, consequentemente, aprimorar todo o processo de indexação e descrição bibliográfica automatizada.

 

Figura 1. Fluxo de geração de resumos a partir do texto completo.

Na Figura 1 temos o fluxo de geração de resumos por Inteligência Artificial (by IA), iniciando com a conversão de documentos em PDF para texto puro, seguida da detecção do idioma original e, se necessário, tradução para o inglês. Esse processo de tradução inicial para o Inglês é necessário pois os modelos são otimizados para este idioma. Em seguida, um modelo de linguagem especializado identifica o tipo de texto (artigo, livro, diretriz etc), e partir disso é direcionado ao modelo especializado (fine-tuned) para cada tipo de texto. Por fim, o texto resumido é traduzido de volta para o idioma original, resultando em um resumo final padronizado, multilíngue e adaptado ao tipo de documento.

A incorporação da Inteligência Artificial nos processos da BIREME representa um marco importante na modernização da gestão da informação em saúde. O uso de tecnologias como a geração automática de resumos, a indexação assistida e a tradução multilíngue ampliam significativamente a eficiência, a precisão e o alcance dos conteúdos informacionais. Apesar dos desafios técnicos, essas iniciativas demonstram um avanço consistente rumo à melhoria contínua da qualidade dos produtos e serviços desenvolvidos pela BIREME. Essas ações reforçam o compromisso do Centro em utilizar inovação tecnológica para fortalecer o acesso, a organização e a disseminação da informação e do conhecimento científico em saúde em toda a Região.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/10/29/resumos-by-ia-para-a-melhoria-na-descricao-bibliografica/

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Pré-lançamento da Biblioteca WHO TMGL reconhece a BVS MTCI

A BIREME/OPAS/OMS esteve recentemente presente no III Congresso Mundial sobre Medicina Tradicional, Complementária e Integrativa (3rdWCTCIM), no Rio de Janeiro, Brasil, quando João Paulo Souza, Diretor, participou da abertura do evento representando a OMS e a OPAS destacando a importância das MTCI na Região das Américas, e fez o pré-lançamento da Biblioteca Global de Medicina Tradicional (WHO TMGL – por sua sigla em inglês). A WHO TMGL é uma iniciativa liderada pela BIREME e o Centro Global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde da OMS (WHO GTMC), em colaboração com outras instituições e redes de colaboração.

João Paulo explicou que “A Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS será um grande repositório pluriepistémico de conhecimentos para facilitar a colaboração, investigação e implementação de políticas e práticas tradicionais, complementares e integrativas que sejam todas efetivas e seguras e que permitam avançar para a saúde”, quando também informou que a WHO TMGL será lançada oficialmente durante a 2ª. Cúpula Global de Medicina Tradicional da OMS  em dezembro de 2025, na Índia e que os participantes poderão contribuir com sugestões e recomendações para o fortalecimento da Biblioteca.

A Biblioteca contará com páginas temáticas que permitirão aprofundar o conteúdo em áreas específicas. A primeira, apresentada durante o evento na sessão de pré-lançamento da WHO TMGL é dedicada ao Parto Tradicional nas Américas, um trabalho colaborativo com o Departamento de Determinantes Sociais e Ambientais para a Equidade em Saúde (DHE) e a BIREME/OPAS/OMS.

No evento, a BIREME/OPAS/OMS contou com um estande para divulgar seus produtos e serviços de informação voltados para a TMGL da OMS, onde os visitantes puderam dar sugestões e propor parcerias técnicas e estratégicas para seu fortalecimento.

Reuniões importantes foram realizadas em torno das Páginas Temáticas: o Dr. Philippe Sterlingot, Osteopathic International Alliance, manifestou interesse em colaborar com a WHO TMGL a partir de 2026, tendo sido realizadas reuniões com ele para definir estratégias de cooperação. A Dra. Dora Pachova, do Comitê Europeu de Homeopatia, expressou sua intenção de desenvolver uma página sobre homeopatia com foco em pesquisa. Enquanto isso, houve avanços com Erick Baars, do Conselho de Pesquisa em Medicina Antroposófica, no planejamento da página temática sobre Medicina Antroposófica. Mirelys Díaz apresentou a estrutura de cocriação elaborada para orientar o desenvolvimento desses espaços temáticos dentro da WHO TMGL.

Entre as atividades de destaque do estande, esteve a apresentação da Página do Brasil na WHO TMGL, com a presença de Daniel Miele Amado, Consultor para o projeto e Gerente do Núcleo Técnico de Gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde do Brasil (SAPS/MS). Durante a sessão, destacou-se a abordagem pluri-epistêmica refletida na nova arquitetura de informação da página, servindo como modelo para que outros países representem a articulação da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) em seus sistemas nacionais de saúde.

A troca de experiências com a rede de MTCI das Américas e às atividades pelos 40 anos da LILACS, juntamente com a promoção da Biblioteca Virtual de Saúde da MTCI (BVS MTCI), fortaleceram a cooperação regional e encerraram uma sema de grande visibilidade para os produtos da BIREME.

As atividades foram lideradas pelo Diretor da BIREME, João Paulo Souza, acompanhado por Verônica Abdala, Gerente, e Mirelys Días, Analista Sênior de Informação, que também fazem parte da equipe de desenvolvimento do WHO TMGL no Centro.

BVS MTCI nas Américas

A Biblioteca Virtual de Saúde de Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas (BVS MTCI) desenvolvida e coordenada pela BIREME/OPAS/OMS foi referenciada na Região das Américas para a WHO TMGL, que utilizou a experiência e as metodologias desenvolvidas através desta BVS para definir sua estrutura, curadoria de conteúdo e planejamento da sua expansão a nível global.

No Boletim BIREME você pode acessar o histórico de notícias publicadas sobre a BVS MTCI desde sua criação (link).

Acesse também: BIREME/OPAS e o pré-lançamento da Biblioteca Global de Medicina Tradicional da OMS

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/10/29/pre-lancamento-da-biblioteca-who-tmgl-reconhece-a-bvs-mtci/

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Gestão da informação para políticas prioritárias no Brasil e Região

Com o objetivo de manter fortalecidas as relações institucionais da BIREME/OPAS/OMS com órgãos do Governo Federal no campo da informação científica e técnica em saúde, o Diretor João Paulo Souza realizou intercâmbios recentes, em especial com as contrapartes nacionais do Ministério da Saúde, um dos principais apoiadores institucionais da BIREME como Centro Especializado da OPAS/OMS no Brasil para a Região da América Latina e Caribe.

Avançar nos trâmites de acordos e projetos em fase final de formalização, e explorar oportunidades estratégicas para o desenvolvimento sustentado de produtos e serviços de informação também estiveram em foco considerando Termos de Cooperação estratégicos tanto para o fortalecimento institucional da BIREME quanto para atender as prioridades de informação em saúde no Brasil.

O Secretário-Executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, esteve na BIREME/OPAS/OMS em São Paulo, em 20 de setembro. Em diálogo com o Diretor João Paulo e a equipe de liderança, foram discutidas as prioridades atuais do Sistema Único de Saúde (SUS) e possíveis sinergias com os produtos e serviços de informação desenvolvidos pela BIREME, de abrangência regional, e oportunidades de cooperação técnica para transformação digital, telessaúde, mapas de evidências, observatórios de indicadores e redes de informação em saúde.

O potencial de colaboração com a BIREME em iniciativas como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e no apoio à preservação e continuidade de conteúdos digitais estratégicos, incluindo experiências acumuladas durante a pandemia, foram reconhecidos pelo Secretário-Executivo. O Diretor da BIREME ressaltou a dimensão e o impacto da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS): “A BVS reúne cerca de 9 milhões de registros e alcança mais de 50 milhões de acessos anuais, consolidando-se como um dos principais instrumentos de disseminação de informação científica em saúde na Região”.

Na oportunidade, João Paulo Souza reforçou também os componentes de atuação regional e global da BIREME: “A cooperação técnica da BIREME alcança atualmente mais de 30 países, com metodologias comuns para bibliotecas virtuais, vitrines de conhecimento e mapas de evidências, que permitem comparar políticas e experiências de saúde entre países”.

Proximamente, no di 10 de outubro, está programado o lançamento do novo portal da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS) desenvolvido pela BIREME/OPAS/OMS com a Coordenação-Geral de Documentação e Informação (CGDI)/Subsecretaria de Assuntos Administrativos/Secretaria Executiva do Ministério da Saúde (CGDI/SAA/SE/MS) no contexto das ações comemorativas dos 25 anos da CGDI e dos 35 anos do SUS. A virtualização das exposições do túnel do Ministério da Saúde será uma iniciativa a ser planejada e desenvolvida com o apoio da BIREME para o Ministério, acordos institucionais em curso. Além disso, novos e inovadores projetos foram discutidos em 17 de setembro, em Brasília, com João Paulo, Diretor da BIREME, Adriano Massuda, Secretário Executivo, Sinval Alan Silva, Subsecretário SAA e Eva Patrícia Lopes, Coordenadora da CGDI do Ministério da Saúde.

Também em Brasília, em 16 de setembro, na Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), que subsidia termo de cooperação específico com a OPAS/OMS para o qual a BIREME coopera, João Paulo se reuniu com Ana Estela Haddad, Secretária da SEIDIGI, que considerou positivos os desenvolvimentos em curso dos produtos de informação “Nova Segunda Opinião Formativa (SOF)”; “Ajudas Decisionais” e “Plataforma SUS Digital”. O fortalecimento institucional e a escalabilidade de produtos foram temas também em pauta.

Na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (Secadi/ME), com a Secretária Zara Figueiredo, o Diretor da BIREME tratou sobre a possibilidade da integração de saberes tradicionais e o desenvolvimento de novas plataformas digitais de informação inclusive como ação intersetor da saúde e a educação. O encontro foi realizado em Brasília, no dia 15 de setembro.

As contrapartes nacionais concordam que os produtos e serviços de informação da BIREME são recursos estratégicos para apoiar na formulação de políticas públicas, ampliar a eficiência na implementação das ações prioritárias e tornar ainda mais efetiva e estratégica a cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, a OPAS e a BIREME em prol do fortalecimento do SUS e do acesso à informação em saúde na Região.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/09/30/gestao-da-informacao-para-politicas-prioritarias-no-brasil-e-regiao/

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Acesso à informação sobre doenças crônicas não transmissíveis

A necessidade urgente de abordar a interação entre as doenças infecciosas e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que em conjunto representam os maiores desafios de saúde pública nas Américas, foi destacada pelo Dr. Jarbas Barbosa, Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em um evento realizado no contexto da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas em 22 de setembro de 2025: Em evento paralelo à 80ª Assembleia Geral da ONU, diretor da OPAS destaca vínculo entre doenças infecciosas e crônicas não transmissíveis

A OPAS lançou em 3 de setembro de 2025 o curso certificável Melhor Atenção às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DNTs), disponível no Campus Virtual em Saúde Pública (CVSP) no marco da Iniciativa para Melhor Atenção às DNTs.

A série é composta por cinco webinários gratuitos e certificados, que abordam temas-chave como o uso de ferramentas baseadas em evidências para o cuidado das DNTs, o impacto dos determinantes sociais, a promoção da saúde com enfoque em equidade e o tratamento de fatores de risco específicos, como inatividade física, má alimentação e tabagismo.

Coordenado pelo Departamento de Evidência e Inteligência para Ação em Saúde, o webinário de abertura teve moderação de Jonás Gonseth-García, assessor sênior da Iniciativa Melhor Atenção às DNTs, e palavras de abertura de Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OPAS. Em seguida, Ludovic Reveiz, chefe da Unidade de Ciência e Conhecimento para o Impacto (EIH/OPAS), apresentou recursos e ferramentas para a melhor atenção às DNTs informados por evidências.

A sessão trouxe ainda o intercâmbio de experiências práticas, como a Iniciativa HEARTS nas Américas com Andrés Rosende, consultor internacional da OPAS, e contribuições de representantes de países, como Matías Villatoro de El Salvador, e Xintia Ayala do Paraguai.

Em sua apresentação, Ludovic Reveiz ressaltou o papel de ferramentas e serviços desenvolvidos em conjunto com a BIREME – como o BIGG-REC – Recomendações GRADE, o aplicativo e-BlueInfo e o Evid@Easy – para apoiar decisões em saúde informadas por evidências e fortalecer a resposta regional frente às DNTs.

De acordo com Reveiz, “os recursos da OPAS e BIREME fortalecem decisões baseadas em evidências e ampliam a resposta regional às DNTs. São ferramentas estratégicas para gestores, profissionais de saúde e comunidades, que promovem saúde para todos. A cooperação técnica do Departamento de Evidência e Inteligência da OPAS, BIREME e redes regionais agrega valor ao contextualizar recomendações globais às realidades locais e ampliar o acesso à informação científica de qualidade”.

BIGG REC, e-BlueInfo, Evid@Easy e Vitrine do Conhecimento

O BIGG-REC é um portal de recomendações GRADE da OPAS/OMS para o ODS-3, disponível na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Reúne mais de 4.000 recomendações clínicas, de saúde pública e de políticas emitidas pelas diretrizes da OMS e da OPAS que seguem a abordagem metodológica GRADE.

A plataforma permite que profissionais e gestores encontrem orientações relevantes para suas perguntas por meio de funções avançadas de busca, filtros e organização segundo a estrutura PICO (população, intervenções, comparadores e resultados). Também possibilita explorar recomendações a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS-3 “Saúde e Bem-Estar”.

Seu propósito central é apoiar decisões contextualizadas em nível local, nacional e regional, facilitando a adaptação das recomendações às realidades dos sistemas de saúde. Desenvolvido em colaboração com a Fundação Epistemonikos, o BIGG-REC recebe atualizações contínuas e contribuição de desenvolvedores de diretrizes e usuários, o que garante sua relevância e expansão permanentes.

O e-BlueInfo é um aplicativo gratuito desenvolvido pela BIREME em cooperação com os Ministérios da Saúde e instituições de ensino e pesquisa de países da Região, com apoio das Representações da OPAS/OMS. Atualmente disponível para Brasil, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras, Paraguai e Peru, reúne informação produzida localmente, além de conteúdos regionais da Organização.

O aplicativo disponibiliza guias, manuais, protocolos clínicos e outras referências essenciais para a prática nos serviços de atenção à saúde, sempre aprovadas pelos Ministérios da Saúde de cada país. Integra funcionalidades que permitem buscar evidências científicas na BVS utilizando descritores do tesauro DeCS e do Código Internacional de Doenças (CID) criado pela OMS.

Os usuários também podem armazenar documentos favoritos, acessar históricos de consulta e explorar conteúdos similares disponíveis na BVS. Com essas ferramentas, o e-BlueInfo busca ainda fortalecer a alfabetização em saúde digital, ampliando o acesso dos profissionais e gestores de políticas a recursos de qualidade e apoiando o uso da informação para a ação em saúde.

O ecossistema da BIREME inclui também o Evid@Easy, ferramenta de busca guiada de evidências. Seu objetivo é facilitar o acesso à informação científica qualificada por meio de trilhas temáticas pré-definidas, com base em estratégias de busca estruturadas.

Atualmente, está organizada em torno do ODS-3, contendo trilha específica na “Meta 3.4: Reduzir mortes prematuras por DNTs”. Ao selecionar essa trilha, o usuário é conduzido a resultados da BVS, que incluem revisões sistemáticas, diretrizes clínicas e outros documentos relevantes para a prática em saúde.

Diferentemente de buscadores tradicionais, o Evid@Easy entrega estratégias validadas de recuperação de informação, poupando tempo dos usuários e garantindo maior precisão na pesquisa. Dessa forma, a ferramenta apoia profissionais, gestores e formuladores de políticas públicas no acesso ágil e contextualizado à melhor evidência disponível.

A Vitrine BVS do Conhecimento sobre o Dia Mundial do Coração reúne conteúdos estratégicos para a prevenção e o controle das doenças cardiovasculares, incluindo dados da iniciativa HEARTS nas Américas, indicadores por país, publicações técnicas, calculadoras de risco, e materiais de apoio voltados tanto para profissionais de saúde quanto para usuários dos sistemas e serviços de saúde.

A iniciativa também conecta os usuários a diversos recursos disponibilizados pela OPAS sobre o tema, incluindo guias de boas práticas que reforçam a importância da atenção primária, da adoção de hábitos saudáveis e do manejo integrado dos principais fatores de risco, como hipertensão, tabagismo e alimentação inadequada.

Como metodologia própria da BIREME para a BVS, é uma fonte de informação que centraliza evidências e ferramentas práticas, promovendo o acesso à informação confiável com objetivo de apoiar as ações regionais de promoção da saúde cardiovascular.

 

Cooperação técnica em prol da informação em ciências da saúde

A cooperação técnica da BIREME reflete o compromisso da OPAS com a construção contínua de um ecossistema de informação que conecta atores, recursos e processos. Esse trabalho fortalece redes colaborativas, amplia o impacto das políticas de saúde baseadas em evidências e promove o acesso equitativo ao conhecimento e melhores cuidados em saúde para todas as populações das Américas.

Para saber mais sobre o trabalho da OPAS nesta área, acesse o Portal Regional de Dados: Iniciativa para Melhor Atenção às Doenças Crônicas Não Transmissíveis, uma plataforma que reúne informação regional para apoiar a prevenção, o manejo, o tratamento e o controle das DNTs na atenção primária à saúde. O portal disponibiliza dados essenciais para monitorar o progresso dos países e acompanhar resultados, fortalecendo estratégias e políticas públicas voltadas a respostas mais efetivas e equitativas.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/09/30/acesso-a-informacao-sobre-doencas-cronicas-nao-transmissiveis/

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Telessaúde e transformação digital no Pará

Nos dias 22 e 24 de setembro, a BIREME/OPAS/OMS esteve na Ilha do Marajó, no Pará, com Verônica Abdala, Gerente de Serviços e Produtos de Informação (PSI) em coordenação com a Secretaria de Informação de Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde. O objetivo foi conhecer de perto a experiência dos Núcleos de Telessaúde do Pará na oferta de telediagnósticos e teleconsultas, bem como acompanhar eventos que discutiram a transformação digital no Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado.

Telessaúde no Marajó: ampliando o acesso às populações tradicionais

Nos dias 22 e 23 de setembro, foi realizado em Soure, no Arquipélago do Marajó, o Fórum Permanente Cidadania Marajó. A iniciativa da sociedade civil organizada tem como missão promover justiça social, reduzir desigualdades e ampliar a equidade no território. O encontro reuniu atores locais e representantes de diferentes setores públicos e comunitários, com o objetivo de articular políticas nas áreas de saúde, educação, cultura, diversidade, enfrentamento à violência e proteção de crianças, adolescentes, mulheres, povos tradicionais e pessoas LGBTQIA+, reforçando a presença do Estado junto às comunidades marajoaras.

UFPA UEPA

Durante o evento, o Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Pará (UFPA) instalou um ambulatório temporário para oferecer atendimentos de telediagnóstico e teleconsulta em cardiologia e dermatologia. Em apenas dois dias, mais de 30 pessoas da comunidade foram beneficiadas, demonstrando na prática o potencial da telessaúde para superar barreiras de acesso em uma região marcada por grandes distâncias geográficas e limitações de infraestrutura.

Essa ação se soma ao avanço do Programa Telessaúde no Marajó, que desde fevereiro de 2025 está presente nos 17 municípios do arquipélago, graças à entrega de equipamentos de eletrocardiograma digital pelo PAC SUS. Até agosto, foram realizados mais de 4 mil laudos de ECG — um marco importante, considerando que antes apenas o município de Ponta de Pedras dispunha do recurso.

Para Verônica, Gerente PSI da BIREME/OPAS/OMS, a participação na missão proporcionou uma experiência transformadora: “Foi uma oportunidade única de perceber o impacto concreto que a telessaúde tem na vida das populações que vivem em regiões de difícil acesso. Muitas vezes não é apenas a distância que impede o cuidado, mas a ausência de médicos e de equipamentos básicos como um ECG ou um raio-X. Vivenciar isso no Marajó foi transformador”.

Seminário Saúde Digital no Pará: desafios e inovações

No dia 24 de setembro, Verônica também participou do Seminário Saúde Digital no Pará, realizado no auditório do Centro de Ciências da Saúde e Biológicas da Universidade Estadual do Pará (UEPA). O encontro reuniu gestores municipais e representantes da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI/MS), incluindo a secretária Ana Estela Haddad, para discutir estratégias de implementação e expansão do Programa SUS Digital.

Entre os principais temas, destacaram-se a interoperabilidade entre sistemas por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), a unificação de registros de usuários do SUS via CPF e a consolidação de uma governança de dados que transforme registros em informação qualificada para a gestão. O Pará foi apontado como estado-piloto para novos modelos informacionais da RNDS, incluindo Registro de Exames Laboratoriais, RAC Teleconsulta e RAC Teleinterconsulta.

Plataforma SUS Digital e visão sistêmica

As experiências vivenciadas nos dois eventos alimentam o desenvolvimento da Plataforma SUS Digital, iniciativa coordenada pela BIREME/OPAS/OMS com a SEIDIGI/MS. A plataforma funcionará como hub de informações, projetos, serviços e aplicações do Programa SUS Digital, além de aproximar cidadãos, gestores e profissionais de saúde.

Segundo Verônica Abdala: “Participar de encontros como estes é uma oportunidade de ouro para compreender a abrangência do Programa SUS Digital e as conexões entre suas diversas ações. Esse olhar sistêmico será essencialmente representado na Plataforma SUS Digital que estamos desenvolvendo”.

Produção audiovisual: histórias do Marajó

A missão também resultou na gravação de um documentário. As filmagens registraram atendimentos, depoimentos de pacientes, profissionais de saúde e gestores municipais, tanto no campus da UFPA em Soure quanto em unidades básicas de saúde e consultórios em Belém.

O material dará origem a dois documentários sobre a chegada da Telessaúde às comunidades quilombolas e ribeirinhas do Marajó, que serão publicados na Plataforma SUS Digital, reforçando a visibilidade do impacto dessas ações na vida das pessoas.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/09/30/telessaude-e-transformacao-digital-no-para/

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Produtos e Serviços de Informação e o uso da IA

Visando avançar no uso de Inteligência Artificial em seus produtos e serviços de informação em saúde e, simultaneamente, reafirmar seus valores institucionais, como a ética, transparência e responsabilidade, a BIREME/OPAS/OMS estabeleceu um conjunto de diretivas para orientar o desenvolvimento e a adoção de soluções baseadas em IA no âmbito do Centro.

O documento foi elaborado a partir de orientação interna da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicado em 2024, que estabelece princípios éticos e recomendações para o uso responsável da tecnologia, e que faz referência a publicações similares publicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e pela Organização das Nações Unidas (ONU). Com isso, o responsável técnico do produto a ser desenvolvido deverá assegurar cumprimento das diretivas estabelecidas pela OMS e OPAS em relação ao uso de modelos de linguagem (LLMs) para a saúde, incluindo o documento Ethics and governance of artificial intelligence for health: Guidance on large multi-modal models.

Na BIREME, a iniciativa dá sequência às ações de incorporação de IA para qualificar desenvolvimentos, priorizar rotas de inovação e impulsionar avanços em produtos e serviços. É fundamentada em governança em aspectos relevantes para o tema de IA, como a proteção de dados, validação humana, registro de versões e análises de risco, assegurando autoria responsável e transparência no uso de Inteligência Artificial.

As diretivas organizadas pela BIREME definem critérios para que o uso de IA seja transparente, seguro e alinhado com os valores da OPAS/OMS. Entre os pontos centrais, destacam-se:

  • Proteção de dados: vedada a inserção de dados sensíveis, internos ou identificáveis em plataformas externas sem garantias contratuais adequadas.
  • Validação humana obrigatória: resultados de LLMs, como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot, devem ser tratados como rascunhos e revisados por especialistas antes de qualquer uso institucional.
  • Documentação e rastreabilidade: cada solução deve manter histórico documentado, incluindo versões de modelos, revisões e validações realizadas.
  • Transparência no uso institucional: todo produto baseado em IA deve explicitar limitações, reforçar a necessidade de validação humana e indicar, de forma clara, quando ferramentas de IA foram utilizadas na produção de conteúdos, assegurando a verificação das fontes citadas.
  • Autoria e responsabilidade: cada solução deve identificar o(a) responsável técnico por sua criação e manutenção.
  • Avaliação de riscos: antes da adoção de qualquer solução, realizar análise de viabilidade e risco que contemple aspectos éticos, de confidencialidade, de custos e de dependência tecnológica.

Com esta iniciativa, a BIREME fortalece seu compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade no o uso da inteligência artificial generativa na saúde. “São diretivas que contribuem com a governança da gestão da informação e consolidam uma base institucional para a inovação responsável”, destacou Marcos Mori, líder da área de desenvolvimentos da BIREME.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/09/30/uso-de-ia-nos-produtos-e-servicos-na-bireme/

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Desenvolvimentos com a CGDI/MS para a gestão da informação em saúde

Em 5 de agosto aconteceu a reunião de acompanhamento do Termo de Ajuste 13/Termo de Cooperação 95 (TA13/TC95), para a BIREME/OPAS/OMS com a Coordenação-Geral de Documentação e Informação do Ministério da Saúde (CGDI/SAA/SE/MS) em coordenação com a OPAS Brasil.

O encontro teve como objetivo apresentar os avanços técnicos e estratégicos do primeiro semestre de 2025 no contexto de três Resultados Esperados (RE) e revisitar o plano de trabalho, reafirmando o compromisso conjunto de modernização, inovação e fortalecimento da gestão da informação e do conhecimento em saúde no Brasil.

Inovação em Fontes de Informação Técnico-Científicas (RE 1)

Foi destacada a consolidação do DeCS Finder IA, ferramenta baseada em inteligência artificial que sugere automaticamente descritores do tesauro DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) para a catalogação de documentos científicos. Em fase de testes avançados, a solução já está integrada a sistemas como o FI-Admin e o Annif, com foco em agilizar a indexação, garantir maior padronização e qualidade dos registros, além de apoiar centros cooperantes com equipes reduzidas.

O planejamento do uso de modelos de linguagem natural para serviços de busca e sínteses narrativas na BVS também foram destaque. Os chamados Super Resumos, que oferecem descrições curtas de documentos, já estão em aplicação em 100% da base Mosaico e 50% da LILACS, ampliando as possibilidades de acesso facilitado à informação.

Outro avanço relevante foi a entrada em operação do processo de coleta de dados do sistema SOPHIA, permitindo atualizar de forma integrada os índices da BVS MS. Em paralelo, a Rede BiblioSUS contribuiu com 1.392 documentos em apenas seis meses, reforçando a ampliação do controle bibliográfico da produção científica do SUS.

Fortalecimento da Rede BVS Brasil (RE 2)

No âmbito da Rede BVS Brasil, as atividades de capacitação avançaram com 10 encontros virtuais realizados, reunindo uma média de 170 conexões por sessão, com participação de 36 países. Os temas incluíram indexação de documentos segundo a metodologia LILACS, boas práticas editoriais em periódicos científicos e inovação em produtos e serviços de informação.

A contribuição documental da Rede também foi significativa: 715 novos registros adicionados à LILACS entre janeiro e julho de 2025, além da manutenção de uma base total de 1,191 milhão de documentos, dos quais 700 mil provenientes do Brasil, com participação ativa de 390 centros cooperantes. Já a base ColecionaSUS totaliza 39.819 registros de 124 centros cooperantes.

Entre as ações de modernização, destacou-se o lançamento do novo portal da BVS MS e o avanço na atualização das plataformas da Rede BiblioSUS e das Estações BVS, além da integração da BVS ECOS com nova interface colaborativa. A atualização cadastral de bibliotecas e centros cooperantes alcançou 310 instituições ativas em 2025.

O Encontro Nacional da Rede BVS Brasil está programado para novembro com o XXIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU 2025), em São Paulo, ocasião em que também se reconhecerá os 40 anos da LILACS.

Portal Memorial da Pandemia COVID-19 (RE 3)

O projeto do Portal Memorial da Pandemia de COVID-19 avançou de forma consistente. Realizado em cooperação técnica entre a BIREME, o Ministério da Saúde e especialistas, o portal tem como objetivo preservar e difundir acervos de documentos, entrevistas e depoimentos sobre a pandemia, transformando-os em um espaço de memória, reflexão e aprendizado coletivo.

Entre os principais resultados alcançados estão a definição do escopo, público-alvo e modelo de governança do portal; a realização de reuniões estratégicas e visitas técnicas, incluindo ao Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP); e o mapeamento inicial das coleções que irão compor o acervo. Neste processo, foram elaboradas as orientações para a curadoria e a preservação digital dos conteúdos.

No campo tecnológico, destacam-se a instalação e configuração das plataformas Archivematica e Tainacan, que serão responsáveis pela preservação e publicação dos conteúdos do portal. O desenvolvimento do site também avançou com a aplicação de dinâmicas centradas no usuário (UX Design), das quais resultaram uma proposta inicial de menu, um protótipo conceitual em baixa fidelidade e diretrizes de usabilidade que orientarão a organização temática, a navegação e a experiência de uso.

As ações de comunicação começaram a ganhar corpo com a divulgação de conteúdos multilíngues, a integração das equipes por meio de canais colaborativos e a publicação de matérias no Boletim BIREME de mais canais de comunicação da OPAS/OMS. Essas iniciativas vêm ampliando a visibilidade do projeto e fortalecendo a troca de informação e o acompanhamento dos avanços pelas instituições parceiras.

Perspectivas

Ao final do encontro, as equipes reconheceram que os avanços só foram possíveis graças ao diálogo contínuo e ao trabalho integrado entre BIREME, CGDI/MS e especialistas. A expectativa é que o segundo semestre de 2025 seja marcado por novos marcos de cooperação, consolidando tanto a modernização das fontes de informação quanto a criação de espaços inovadores de memória coletiva e de fortalecimento em rede.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/08/29/desenvolvimentos-com-a-cgdi-ms-para-a-gestao-da-informacao-em-saude/

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Avanços na construção da BVS dos Povos Indígenas

No mês em que se celebra o Dia Internacional dos Povos Indígenas, a BIREME/OPAS/OMS, em cooperação com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/MS), dá continuidade às ações do 93º Termo de Cooperação Técnica (TC93). O acordo busca promover o fortalecimento da gestão da informação e do conhecimento em saúde indígena, com ênfase na ampliação da transparência e a disseminação de conteúdo científico e técnico voltados aos povos originários do Brasil. Esta cooperação tem se consolidado como um marco estratégico, apoiando políticas públicas, práticas de cuidado e iniciativas de pesquisa que impactam diretamente a saúde das comunidades indígenas no Brasil.

Entre os principais resultados esperados está a criação da Biblioteca Virtual em Saúde dos Povos Indígenas, instância temática do Modelo BVS, atualmente em desenvolvimento, e tem como propósito reunir, organizar e disseminar informação qualificada sobre saúde indígena, incluindo documentos técnicos e científicos, relatórios, publicações institucionais e materiais de referência relacionados ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Também estão previstas a disponibilização de Vitrines do Conhecimento voltadas à disseminação facilitada de informação sobre temas prioritários, e uma Linha do Tempo do SasiSUS, que apresentará marcos e momentos históricos do Subsistema, contribuindo para a preservação da memória institucional e o acesso ao conhecimento.

Como avanços já alcançados, destaca-se a indexação de conteúdo estratégico selecionado e organizado segundo critérios de governança bibliográfica e gestão da informação. “Este processo incluiu a análise e sistematização de relatórios, publicações técnicas e outros documentos produzidos no âmbito da saúde indígena, assegurando sua disponibilidade futura em um formato padronizado e de fácil acesso”, destaca a bibliotecária Angélica de Paula, ponto focal do projeto na BIREME. Além disso, a iniciativa foi pensada para atender às necessidades das equipes de saúde que atuam nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que enfrentam diariamente o desafio de dispor de informação atualizada e confiável para apoiar suas ações de cuidado e gestão em saúde junto às comunidades indígenas.

O projeto contempla ainda a organização de coleções temáticas, a construção de recursos digitais de apoio à decisão e a integração de diferentes tipos de fontes de informação, de forma a consolidar a BVS dos Povos Indígenas como um repositório estruturado e confiável. Para além da sistematização da coleção, prevê-se a adoção de processos colaborativos que assegurem a atualização contínua do portal e incentivem o uso da informação por seus diferentes públicos. O lançamento oficial está previsto para outubro de 2025, quando o Portal da BVS e sua coleção de fontes de informação, como vitrines, linha do tempo e base de dados Memória SasiSUS, serão apresentados publicamente como espaços de referência para a disseminação e o uso da informação em saúde indígena.

A SESAI, por meio da Coordenação Geral de Gestão do Conhecimento, da Informação, da Avaliação e do Monitoramento da Saúde Indígena (CGCOIM), ressaltou a importância da parceria com a BIREME, destacando que essa iniciativa fortalece o acesso a informações qualificadas sobre a saúde indígena. “Para a SESAI/CGCOIM, a criação da Biblioteca Virtual em Saúde dos Povos Indígenas constitui um marco histórico na valorização dos saberes tradicionais e na promoção de políticas públicas mais eficazes e culturalmente sensíveis. Ter sua própria Biblioteca Virtual representa para a SESAI não apenas um espaço de memória e de registro institucional, mas também uma plataforma que possibilita à sociedade acessar a história e a diversidade dos povos indígenas. Essa ação coletiva é considerada estratégica para ampliar a visibilidade das práticas de saúde nos territórios indígenas e para consolidar a memória institucional da SESAI”, afirmou Maial Paiakan Kaiapó, Coordenadora da CGCOIM.

Com esta cooperação, a SESAI e a BIREME/OPAS/OMS reafirmam o compromisso de contribuir para a equidade em saúde e de ampliar o acesso à informação de qualidade, reconhecendo e valorizando a diversidade cultural e as especificidades dos povos indígenas no Brasil. A BVS dos Povos Indígenas representa um passo importante para dar maior visibilidade às ações e estratégias do SasiSUS, fortalecendo a informação como insumo fundamental para a tomada de decisão, a produção de conhecimento e a garantia do direito à saúde destas populações.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/08/29/avancos-na-construcao-da-bvs-dos-povos-indigenas/

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Publicação da OMS destaca uso da IA em Medicina Tradicional

A recente publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a União Internacional de Telecomunicações (UIT) e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), destaca o uso emergente da inteligência artificial (IA) em práticas de saúde tradicionais em todo o mundo. Intitulado Mapping the application of artificial intelligence in traditional medicine: technical brief (11 julho de 2025), o documento reconhece a contribuição da BIREME/OPAS/OMS ao mencionar a Biblioteca Virtual em Saúde sobre Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas nas Américas (BVS MTCI Américas) como referência de aplicação de IA voltada à gestão e disseminação do conhecimento técnico e científico na área.

Desenvolvida e coordenada pela BIREME com apoio do Ministério da Saúde do Brasil e da Rede MTCI Américas, a BVS MTCI Américas é uma plataforma regional que reúne conteúdos científicos, educacionais e técnicos sobre práticas de saúde tradicionais e integrativas, como Ayurveda, fitoterapia, medicina tradicional chinesa, práticas indígenas, entre outras. Segundo o novo documento da OMS, a aplicação de IA na biblioteca tem sido utilizada para acelerar o processo de descrição bibliográfica e facilitar a identificação de termos relevantes, contribuindo para a melhoria da organização e recuperação da informação.

Modelo regional de inovação em bibliotecas digitais

A BIREME tem atualizado sua missão institucional com base na inovação tecnológica e na transformação digital, conforme definida em sua Estratégia 2023-2025. As bibliotecas virtuais desenvolvidas pela cooperação técnica do Centro têm utilizado ferramentas baseadas em IA e metodologias como o DeCS e os fluxos da LILACS para ampliar o alcance e a usabilidade do conhecimento tradicional em saúde, marcas registradas da BIREME ao longo de sua trajetória.

A menção da BIREME na publicação técnica da OMS ocorre em meio a uma série de iniciativas institucionais que vêm promovendo o uso responsável e ético da inteligência artificial no contexto da saúde pública e das medicinas tradicionais, como, por exemplo, a série de webinários explicativos sobre o tema, realizadas no âmbito do Programa de Fortalecimento das Redes de Informação em Saúde na América Latina e Caribe. Em 2025, a BIREME participou ativamente da Consulta Regional para Priorização de Pesquisa em MTCI promovida pela OPAS e da construção da Biblioteca Global de Medicinas Tradicionais da OMS, também citada como referência no documento.

IA como aliada da equidade no acesso à informação

A publicação técnica da OMS chama a atenção para o potencial da IA no avanço das práticas tradicionais de saúde – especialmente na preservação de saberes ancestrais, ampliação do acesso à informação, apoio à decisão clínica e ao desenho de políticas públicas baseadas em evidências. Ao mesmo tempo, alerta para desafios como o respeito à soberania de dados, a proteção contra biopirataria e o fortalecimento da infraestrutura digital em países de baixa e média renda.

A experiência da BIREME com a BVS MTCI Américas mostra que é possível integrar inovação tecnológica e valorização do conhecimento tradicional de forma ética, sustentável e colaborativa, alinhando-se às diretrizes da Estratégia da OMS para MTCI e aos princípios da transformação digital dos sistemas de saúde.

Outras iniciativas da BIREME com IA para medicina tradicional

Além da BVS MTCI Américas, outras iniciativas coordenadas pela BIREME também vêm aplicando a inteligência artificial na gestão e disseminação do conhecimento sobre medicinas tradicionais. Entre elas, destaca-se a atuação do Centro no desenvolvimento e curadoria da Biblioteca Global de Medicinas Tradicionais da OMS, ou TMGL, na sigla em inglês para Traditional Medicine Global Library.

No primeiro semestre de 2025, a TMGL implementou o TMGL GPT Modeler, um assistente conversacional baseado em IA, que já está incorporado à homepage da plataforma. Esta entrega responde diretamente ao propósito fundamental da TMGL: oferecer um ambiente digital inovador que preserve, valorize e articule saberes tradicionais, complementares, indígenas e ancestrais à saúde pública global.

A implementação do assistente GPT, segundo comenta Mirelys Puerta Díaz, bibliotecária da BIREME e gestora da TMGL, reflete o compromisso do produto com a educação, acessibilidade e diálogo pluriepistêmico, permitindo que usuários explorem conteúdos complexos com suporte em linguagem natural e de forma intuitiva, sem interromper sua navegação na plataforma.

A iniciativa, conceptualizada e coordenada pelo Diretor da BIREME, João Paulo Souza, foi integrada em maio com foco na usabilidade, inclusão digital e alinhamento com a Estratégia Global da OMS sobre Medicina Tradicional 2025-2034 e à Declaração de Gujarat. O recurso contribui para transformar a TMGL em um ponto de encontro digital entre sistemas de conhecimento, apoiando tanto formuladores de políticas quanto pesquisadores, profissionais de saúde e comunidades.

Paralelamente, durante o semestre passado foi consolidada a geração automatizada de Super Resumos temáticos de registros bibliográficos, sob liderança técnica de Francisco Barbosa Junior, especialista de Inteligência Artificial da BIREME. Atualmente, estão disponíveis 677 registros com Super Resumos das bases LILACS e MTCI, acessíveis por meio do aplicativo “interface de busca integrada” (IAHx) da TMGL. Esta funcionalidade acelera e aprimora a busca e compreensão de conteúdos complexos em saúde tradicional, contribuindo para uma TMGL mais inteligente, acessível e às necessidades dos usuários.

Fonte: https://boletin.bireme.org/pt/2025/08/29/publicacao-da-oms-destaca-uso-da-ia-em-medicina-tradicional/